terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Nada foi em vão

Parece que foi ontem...
Ele nascia!
E com ele toda alegria
Brotava no meu ser de mãe!

O tempo passa...
E as lembranças ficam
Guardamos todas no cofre do coração
Pois, amar é ter certeza
De que nada, nada foi em vão...

Parabéns

És um filho muito amado Negrito
De todos, o primeiro a alegrar-me
Já prenunciando meu gigante amor de mãe
Amo-te e te amarei, filho adorado
Rezo por ti e te entrego a Deus
De dia e de noite, a todo instante
Estarei abençoando, filho meu.

Hoje, é o dia de teu aniversário
Que os anjos do céu te louvem em coro
Entoando uma canção de parabéns.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

A polissemia de nossa língua

Sem "sombra de dúvida", a nossa língua nos proporciona um ilimitado poder de uso. Em recente artigo na revista Língua Portuguesa (novembro,2008, p. 38), Jean Lauand refere-se a essa versatilidade que o usuário da língua dispõe. Na visão desse autor, o fenômeno é mais extenso do que à primeira vista supomos. "Mesmo a mais inofensiva busca na WEB mostra a riqueza da língua e sua capacidade expressiva", afirma esse pesquisador, enfatizando que se "a inveja vem em ponta; o ciúme dá-se em pitada; a ingenuidade, em doses; a vergonha na cara, em pingos etc." Temos, ainda, "leve impressão , toque de classe, leve susto, traço de tristeza e resto de esperança".

O autor continua, mostrando a idéia de maior ou menor popularidade de expressões equivalentes à palavra "pouco". Por exemplo: pouco para prosa "é um dedo"; para cachaça, "dois dedos"; para guloseimas, "um teco". Já a pouca visibilidade dá-se em "palmo". Há também, "um fio de voz", "um pingo de gente" e "um pedaço de mau caminho"... E por aí vai, essa língua faceira, cantada em verso e em prosa ( sem ser um dedo)...

São tantas as variáveis lingüísticas que utilizamos que os estrangeiros "comem fogo" para discernir tantos usos e tantos significados. Desse modo, são estas expressões idiomáticas que, por trás da rotina e dos clichês, enriquecem o nosso idioma e possibilitam os diversos falares.

O autor vai muito além desses exemplos e incentiva que se faça um mecanismo de busca na internet, como o Google ou Yahoo para se descobrir a popularidade de muitas outras expressões, comumente usadas no nosso cotidiano. É ver para crer!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Um convite à leitura

Dentre os livros que Irandé Antunes publicou, ressalto este: "Muito além da gramática: Por um ensino de línguas sem pedras no caminho", (Ed. Parábola, 2007). A partir do título e do sub-título, que faz alusão ao conhecido poema de Drummond, "No meio do Caminho", o livro é um convite à leitura para todos que militam ou se interessam pelos estudos e usos da linguagem e que devem ficar longe dos "achismos" e "suposições infundadas" a respeito do ensino da língua.

A autora , com seu estilo leve e verbalização fácil, suscita um debate sobre o ensino da Língua Portuguesa, incitando-nos a refletir sobre as "pressões sociais" do uso da linguagem, no cotidiano das pessoas. Chamando a atenção para os inúmeros cenários, as diversas vozes e múltiplas intenções que estão em jogo no uso da linguagem, a pesquisadora mostra que tudo isso é mais que um ato lingüístico. É um ato humano, social, político, histórico e ideológico. É neste sentido que Bakhtin (1975, p. 98) afirma ser a linguagem "de natureza essencialmente social e em cada momento histórico é grandemente discursiva", porque nela se entrecruzam os diversos falares.

A preocupação da autora recai sobre a relevância para o uso da linguagem em relação à eficácia discursiva do que o "simples estudo da gramática e suas nomenclaturas". Em seu dizer, "é preciso reprogramar a mente dos professores" para entenderem que a língua é parte de nós mesmos , de nossa identidade cultural...

Nos capítulos que compõem o livro, vários equívocos a respeito do ensino da língua são desfeitos, mostrando que o uso da linguagem como atividade interativa, organizada para a interação social é constituído de vários aspectos que se integram e se interdependem. Isto implica em conhecimentos extra-lingüísticos , ou seja, conhecimentos prévios que partilhados com nossos interlocutores mobilizam outros saberes que completam o nosso dizer.

Estas reflexões nos levam a repensar sobre um "outdoor" exposto na cidade, após o pleito eleitoral, que transcreve versos de conhecida música popular: "Um dia a areia branca/ Seus pés irão tocar/ E vai molhar seus cabelos/ A água azul do mar..." A intencionalidade discursiva do produtor dessa mensagem instiga o leitor a mergulhar nas malhas invisíveis do discurso em busca de sentidos outros que estão irremediavelmente vinculados a um contexto político e social, "revelando a natureza dialógica da linguagem, pois toda compreensão é prenhe de respostas" e aquele "que recebe e compreende a significação de um discurso adota simultaneamente, para com este uma atitude responsiva ativa", (BAKHTIN, op. cit). Quem participa do contexto histórico/social/político da cidade sabe ler nas entrelinhas o significado do texto e a intenção posta na intertextualidade usada no gênero exposto.

Interpretar, pois, um enunciado discursivo é partilhar conhecimentos provando que a interação verbal mobiliza muito mais do que o conhecimento lingüístico. Mobiliza conhecimentos de mundo. Nesta perspectiva, afirma Irandé, que "pensar, portanto, que a gente faz e interpreta textos usando apenas os conhecimentos lingüísticos (que já são mais do que aqueles puramente gramaticais) é falsear a autêntica atividade da interação verbal". Dessa forma, constatamos que somente os leitores engajados no contexto histórico/sócio/político podem fazer a interpretação daquilo que está implícito, apenas pressuposto ou subentendido. O sujeito que enuncia esconde-se por trás do sentido literal para que o leitor depreenda os múltiplos sentidos dos enunciados que são propiciados pelo jogo da linguagem que favorece inferir algo mais do que está escrito. Assim, os textos/enunciados que produzimos são perpassados por outros enunciados que os precederam, formando uma cadeia discursiva produzida num tempo social e histórico.

É nesse sentido que Irandé propõe um ensino de língua que se desvencilhe do "fio estreito da gramaticalidade" retirando as pedras do caminho que teimosamente alguns professores tentam manter em suas aulas, atribuindo à gramática "uma função muito além daquela que realmente lhe cabe". Ensinar a norma prestigiada aos nossos alunos é necessário. Formar usuários da língua proficientes, sim! Mas, prioritariamente, que esse ensino seja na perspectiva do discurso, com visão integralizadora, sem desvincular a dimensão interacional, dialógica e textual da língua. Só assim, finaliza a autora," língua e gramática podem ser a solução se aprendemos a apreciar a recriação da linguagem, (...) se não deixamos que a gramática assuma o comando absoluto de tudo e saia do seu lugar de adjuvante; de companheira, apenas, cuja presença é necessária, mas não suficiente".

segunda-feira, 6 de outubro de 2008