Há poucos dias, apresentamos comunicação, do GT "Identidades de Gêneros excluídas: o preconceito na literatura e na cultura", em Colóquio Nacional, organizado pelo PPGLI, do Departamento de Letras/UEPB. Naquela ocasião, mostramos que a bipolaridade feminino/masculino visa à determinação de lugares sociais para homens e mulheres e se efetiva nas práticas discursivas. Enfatizamos que o discurso não só representa a sociedade, como também a constrói e a constitui. O discurso com sua força ideológica é normatizador da vida social, legitimando valores, conceitos, crenças e possibilidades de ser e agir.
Particularmente, em relação à mulher, o discurso proverbial, por ser considerado um esteriótipo cultural, incide sobre a imagem da mulher, e, muitas vezes, sustenta crenças, convicções, superstições e preconceitos.
Assim, expomos o resultado de uma investigação feita sobre os enunciados proverbiais que circulam como agentes fragmentadores da imagem da mulher, (mulher feia, mulher infiel, mulher como objeto de satisfação sexual, mulher velha etc.), refletindo como esse discurso, a partir da memória discursiva, se torna constitutivo dessa construção social.
Chegamos à conclusão de que o papel da linguagem como processo de construção de sentidos é básico para formar, tanto a subjetividade, quanto à identidade. É preciso, pois, instalar um discurso de resistência a todo e qualquer discurso esteriotipado que possa revelar representações que extrapolam argumentações pré-concebidas e se tornam veiculadoras de um paradigma pejorativo sobre a imagem da mulher.
Defendemos, portanto, o discurso que não seja fragmentador da imagem da mulher. Um discurso que respeite a mulher, que a veja forte e destemida, em confronto com um mundo instável, fragmentado e em crise de valores. Acreditamos que é nesse contexto da sociedade contemporânea, que a mulher se firma, ascendendo em todas as esferas sociais, assumindo sua
nova imagem e perseguindo trilhas em outra direção.
terça-feira, 19 de julho de 2011
A imagem da mulher nos enunciados proverbiais
sábado, 16 de julho de 2011
COISAS DA LÍNGUA
Recebi este texto e achei interessante publicá-lo. Aliás, a Revista "Língua Portuguesa" já abordou este tema, mostrando o uso "vicário" dessa palavra. "Coisas" da riqueza de nossa língua que, em sua plurivalência, nos oportuniza utilizá-la das mais variadas formas e nos seus múltiplos usos.
MAS QUE COISA!
Para quem gosta da Língua Portuguesa, curiosidade como esta é interessante. Acompanhe o texto e veja que "coisa estranha" para se pensar.
O substantivo "coisa" assumiu tantos valores que cabe em quase todas as situações cotidianas .
A palavra "coisa" é um bombril do idioma. Tem mil e uma utilidades. É aquele tipo de termo-muleta ao qual a gente recorre sempre que nos faltam palavras para exprimir uma idéia. Coisas do português.
A natureza das coisas: gramaticalmente, "coisa" pode ser substantivo, adjetivo, advérbio. Também pode ser verbo: o Houaiss registra a forma "coisificar". E no Nordeste há "coisar": "Ô, seu coisinha, você já coisou aquela coisa que eu mandei você coisar ”.
Coisar, em Portugal, equivale ao ato sexual, lembra Josué Machado. Já as "coisas" nordestinas são sinônimas dos órgãos genitais, registra o Aurélio. "E deixava-se possuir pelo amante, que lhe beijava os pés, as coisas, os seios" (Riacho Doce, José Lins do Rego). Na Paraíba e em Pernambuco, "coisa" também é cigarro de maconha. Em Olinda, o bloco carnavalesco Segura a Coisa tem um baseado como símbolo em seu estandarte. Alceu Valença canta: "Segura a coisa com muito cuidado / Que eu chego já." E, como em Olinda sempre há bloco mirim equivalente ao de gente grande, há também o Segura a Coisinha.
Na literatura, a "coisa" é coisa antiga. Antiga, mas modernista: Oswald de Andrade escreveu a crônica O Coisa em 1943. A Coisa é título de romance de Stephen King. Simone de Beauvoir escreveu A Força das Coisas, e Michel Foucault, As Palavras e as Coisas.
Em Minas Gerais , todas as coisas são chamadas de trem. Menos o trem, que lá é chamado de "a coisa". A mãe está com a filha na estação, o trem se aproxima e ela diz: "Minha filha, pega os trem que lá vem a coisa!".
Devido lugar
"Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça (...)". A garota de Ipanema era coisa de fechar o Rio de Janeiro. "Mas se ela voltar, se ela voltar / Que coisa linda / Que coisa louca." Coisas de Jobim e de Vinicius, que sabiam das coisas. Sampa também tem dessas coisas (coisa de louco!), seja quando canta "Alguma coisa acontece no meu coração", de Caetano Veloso, ou quando vê o Show de Calouros, do Silvio Santos (que é coisa nossa).
Coisa não tem sexo: pode ser masculino ou feminino. Coisa-ruim é o capeta. Coisa boa é a Juliana Paes. Nunca vi coisa assim! Coisa de cinema! A Coisa virou nome de filme de Hollywood, que tinha o seu Coisa no recente Quarteto Fantástico. Extraído dos quadrinhos, na TV o personagem ganhou também desenho animado, nos anos 70. E no programa Casseta e Planeta, Urgente!, Marcelo Madureira faz o personagem "Coisinha de Jesus".
Coisa também não tem tamanho. Na boca dos exagerados, "coisa nenhuma" vira "coisíssima". Mas a "coisa" tem história na MPB.
No II Festival da Música Popular Brasileira, em 1966, estava na letra das duas vencedoras: Disparada, de Geraldo Vandré ("Prepare seu coração / Pras coisas que eu vou contar"), e A Banda, de Chico Buarque ("Pra ver a banda passar / Cantando coisas de amor"), que acabou de ser relançada num dos CDs triplos do compositor, que a Som Livre remasterizou. Naquele ano do festival, no entanto, a coisa tava preta (ou melhor, verde-oliva). E a turma da Jovem Guarda não tava nem aí com as coisas: "Coisa linda / Coisa que eu adoro".
Cheio das coisas
As mesmas coisas, Coisa bonita, Coisas do coração, Coisas que não se esquece, Diga-me coisas bonitas, Tem coisas que a gente não tira do coração. Todas essas coisas são títulos de canções interpretadas por Roberto Carlos, o "rei" das coisas. Como ele, uma geração da MPB era preocupada com as coisas. Para Maria Bethânia, o diminutivo de coisa é uma questão de quantidade (afinal, "são tantas coisinhas miúdas"). Já para Beth Carvalho, é de carinho e intensidade ("ô coisinha tão bonitinha do pai"). Todas as Coisas e Eu é título de CD de Gal. "Esse papo já tá qualquer coisa... Já qualquer coisa doida dentro mexe." Essa coisa doida é uma citação da música Qualquer Coisa, de Caetano, que canta também: "Alguma coisa está fora da ordem."
Por essas e por outras, é preciso colocar cada coisa no devido lugar. Uma coisa de cada vez, é claro, pois uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa. E tal coisa, e coisa e tal. O cheio de coisas é o indivíduo chato, pleno de não-me-toques. O cheio das coisas, por sua vez, é o sujeito estribado. Gente fina é outra coisa. Para o pobre, a coisa está sempre feia: o salário-mínimo não dá pra coisa nenhuma.
A coisa pública não funciona no Brasil. Desde os tempos de Cabral. Político quando está na oposição é uma coisa, mas, quando assume o poder, a coisa muda de figura. Quando se elege, o eleitor pensa: "Agora a coisa vai." Coisa nenhuma! A coisa fica na mesma. Uma coisa é falar; outra é fazer. Coisa feia! O eleitor já está cheio dessas coisas!
Coisa à toa
Se você aceita qualquer coisa, logo se torna um coisa qualquer, um coisa-à-toa. Numa crítica feroz a esse estado de coisas, no poema Eu, Etiqueta, Drummond radicaliza: "Meu nome novo é coisa. Eu sou a coisa, coisamente." E, no verso do poeta, "coisa" vira "cousa".
Se as pessoas foram feitas para ser amadas e as coisas, para ser usadas, por que então nós amamos tanto as coisas e usamos tanto as pessoas? Bote uma coisa na cabeça: as melhores coisas da vida não são coisas. Há coisas que o dinheiro não compra: paz, saúde, alegria e outras cositas más.
Mas, "deixemos de coisa, cuidemos da vida, senão chega a morte ou coisa parecida", cantarola Fagner em Canteiros, baseado no poema Marcha, de Cecília Meireles, uma coisa linda.
Por isso, faça a coisa certa e não esqueça o grande mandamento: "amarás a Deus sobre todas as coisas"...
Entendeu o espírito da coisa?
Autor: Desconhecido.
sábado, 14 de maio de 2011
Lágrimas
Acordei com vontade de chorar!
Acho bom chorar!
As lágrimas lavam a alma,
Libertam as emoções...
De repente, recebo uma boa notícia!
Seriam as lágrimas prenúncio de um bem?
Não sabemos! O que é certo é que elas brotam lá do íntimo...
Lágrimas! Podem ser de tristeza ou de alegria...
Como as flores, estão presentes em qualquer situação.
Que venham sempre as lágrimas de alegria.
É o que te peço sempre, Senhor Jesus!
domingo, 8 de maio de 2011
Família Reunida
Os dias das Mães que, coincidentemente, acontecem na data oito de maio, geralmente, me deixam muito triste, por ser exatamente nesta data, dia das Mães, que Julieta, minha venerada Mãe partiu... No entanto, hoje, extranhamente, contive as emoções, a saudade, e o sentimento de "perda", tanto da mãe querida, como do filho amado que também está "do lado de lá"...
Resolvemos todos almoçar em casa, no aconchego da família. Filhos e netos juntos (exceto os de Cuiabá), mesa farta, graças a Deus, consegui alegrar-me ao ver minha casa cheia e cercada do que há de mais precioso para mim, a família.
As conversas amenas, os comentários bem humorados, os sorrisos nos rostos, tudo fazia com que celebrássemos aquela data com simplicidade, mas com grandeza de alma. Aquele instante, para mim, superou até os presentes recebidos e as flores que vieram acordar-me...
Além disso, os telefonemas de meu irmão Djalma e minha irmã Albani, oportunizaram a dimensão semântica da palavra afeto, nas trocas fraternas que simbolizaram o nosso sentimento maior, o nosso grande amor à nossa mãe e a gigantesca falta que se fazem elos a nos unir na grande corrente da saudade...
À tardinha fui à missa! Orei, agradecida, pelos "benefícios de Deus" na minha vida. Obrigada, Senhor!
Poeminhas de Mário Quintana
Vale a pena transcrever estes "poeminhas" de Mário Quintana, pela grandiosidade de seus significados. Vejamos:
Das Utopias
Se as coisas são inatingíveis... Ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que triste os caminhos, se não fora
A mágica presença das estrelas!
Poeminha do Contra
Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!