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domingo, 2 de maio de 2010

O apagamento da memória

Gratifica-me muito saber que os estudos e pesquisas atuais estão priorizando as questões de memória, biografias, histórias de vida, relatos, depoimentos etc. Cultuar a memória de alguém é reconhecer os seus feitos e a sua colaboração à sociedade onde está ou esteve inserido. No setor educacional, afirma Romanowski em "Formação e profissionalização docente" (2007) que "a memória pode conter as transações passadas com a instituição escolar, pois, ao longo de sua vida, o sujeito constrói o seu saber ativamente, num processo que se faz por avanços e recuos construindo relações específicas com o saber e o conhecimento que acabam por se encontrar no cerne da identidade pessoal."

Infelizmente, alguns personagens da história da Educação brasileira são conhecidos apenas pelo nome ou por poucas leituras, muitas vezes, reflexo das leituras de outras pessoas. Nesse sentido, chamou-me a atenção o artigo que li de José Pacheco (Revista Educação, abril, 2010), intitulado "A segunda morte de Anísio". O autor revela que foi ao sertão baiano, à procura do que resta do insigne brasileiro Anísio Teixeira, principalmente nas Escolas de Caetité. Ao visitar a Secretaria de Educação, pergunta "qual o legado de Anísio, que se faz presente nas práticas escolares?" A resposta é "um embaraçado silêncio."

Embora tenha sido acolhido na casa que foi de Anísio, ter visto livros e objetos que foram usados e tocados "por aquele gênio" e ter-se detido diante de uma fotografia onde o educador estava cercado de crianças, o autor constata que nas escolas os projetos servem de "ornamentos" com citações do mestre, mas não são cultivados nas salas de aula. Percebe-se, então que na formação, os professores adquiriram vagos contributos de ilutres pedagogos estrangeiros...

Para minha perplexidade, o autor afirma que procurou na cidade uma lápide ou um busto que evocasse Anísio, mas não encontrou. A única estátua de Caetité é de alguém que está vivo e "cujos méritos" o autor desconhece. Continua a sua narrativa de forma muito explícita e seus relatos são de causar tristeza... Em seu dizer, "mistério e silêncio encobriram as circunstâncias da morte de Anísio. Consta que foi encontrado em posição fetal, entre as molas de um fosso de elevador, sem vestígios de com elas ter colidido, numa presumível queda..." Mas, ressalta o autor que "estávamos em 1971 e questionar esses tenebrosos tempos ainda é tabu (...). E a luz que Anísio lançou sobre a educação do Brasil também se extinguiu com ele". Pacheco conclui, lamentando que o tempo tenha se aliado à incúria dos homens para apagá-lo da memória dos educadores brasileiros. Para ele, "memória não é feita de inócuas homenagens, mas no fazer jus à sua vida de incansável lutador por uma educação que não aquela que, decorridos quase quarenta anos sobre a sua morte, infelizmente, ainda temos."

Que estas considerações sirvam de reflexão para nós educadores, principalmente, os que militam em cursos de Formação de Professores. Vamos estudar e pesquisar mais sobre a história da educação brasileira e, particularmente, sobre os educadores que contribuiram e colaboram com o desenvolvimento da educação de nosso estado, a nossa pequena e heróica Paraíba. Não deixemos que o processo de apagamento da memória seja cultivado. Preservemos a nossa história.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Para os amantes da poesia

Retrato do poeta quando jovem
José Saramago

Há na memória um rio onde navegam
Os barcos da infância, em arcadas
De ramos inquietos que despregam
Sobre as águas as folhas recurvadas

Há um bater de remos compassado
No silêncio da lisa madrugada,
Onde brancas ondas se afastam para o lado
Com o rumor da seda amarrotada

Há um nascer do sol no sítio exacto,
À hora que mais conta de uma vida,
Um acordar dos olhos e do tacto,
Um ansiar de seda inextinguida.

Há um retrato de água e de quebranto
Que do fundo rompeu desta memória,
E tudo quanto é rio abre no canto
Que conta do retrato a velha história.
..................................................................
Que beleza!!! Faço minhas, as palavras do poeta...

sábado, 3 de outubro de 2009

Sobre o preconceito

Ao ler o livro " A Constituição da Casa-Grande e da Senzala" de Paulo Lopo Saraiva ( UNIPÊ, 2008), chamou-me a atenção , particularmente, o destaque que o autor dá às contribuições do negro na nossa formação social e cultural. Em seu dizer, todo brasileiro tem marcas muito fortes da influência africana. Vai mais longe, ainda, quando afirma que "A presença da mulher, tanto índia quanto negra, é a base do nosso ordenamento jurídico". Para ele, a mulher negra ou índia são estabilizadoras das nossas relações sociais, imprimindo sempre uma hermenêutica humanística, solidária e afetiva, à solução dos conflitos. Nesse contexto, ele inclui, também, a mulher branca fazendo parte dessa "elaboração principiológica".

Porém, é no sub- título, "A oferenda dos Escravos e Escravas", que o paraibano de Serra Branca dá ênfase a esse contributo dos advindos da África, pelo que transmitiam na afetividade, na nostalgia, prudência, na sublimação, na paciência, e na conciliação. "Mãe de leite, contadora de histórias, companheira da Sinhá e da Sinhá-moça, a mulher negra moldou caracteres, formulou normas de vida e criou o primeiro recurso no processo brasileiro: o recurso de Alcova". Ressalta o autor, que no encontro do amor físico, a negra requeria ao seu senhor, que não permitisse mais o flagelo do filho dela. E sempre o recurso era provido.

Constatamos, assim, que a fatalidade da escravidão não retirou dos negros a consciência humana e social. Eles legaram à formação histórica brasileira o que há de mais honesto, justo e solidário na nossa sociedade, nas palavras desse autor.

Outra grande contribuição dos nossos antepassados negros, confirmada por esse autor, foi no campo jurídico. Algumas práticas jurídicas, como o "contrato tácito" que é em outras palavras, a formação da vontade, sem o ajuste escrito ou "sancionário", são evidenciadas. Em outros tempos, a palavra dada, o fio do bigode funcionavam... "Era a palavra que valia", diz Paulo Saraiva. Em seus testemunhos de pesquisador, "esta herança é negra". Foram os negros que construiram essa verdade! E aqui, não posso deixar de reverenciar o meu saudoso pai, que exercia essa prática e a repassava para todos os filhos, que herdamos dele uma sólida formação de caráter, em sintonia com os ensinamentos da Mãe professora, não menos saudosa, e também retilínea em suas ações.

Por estas razões, neste breve texto, há lugar para um repensar sobre o preconceito. Essa face preconceituosa em muitos de nós, nos desumaniza... É inexplicável e, graças a Deus, hoje, ilegal. É preciso, pois, repensar algumas atitudes preconceituosas, não só em relação aos negros, mas também, a outros segmentos que fazem parte da sociedade. Aprendamos com os negros, "a sublime lição de paciência, de fé, de crença no futuro" e de respeito ao outro, às suas crenças, às suas escolhas, às suas convicções, tudo enfim.

Concluo com a citação de Gilberto Freire :

"Todo brasileiro, mesmo o alvo, de cabelo louro, traz na alma, quando não na alma e no corpo (...) a influência direta ou vaga e remota do africano.
Na ternura, na mímica excessiva, no catolicismo em que se deliciam nossos sentidos, na música, no andar, na fala, no canto de ninar menino pequeno, em tudo que é expressão sincera de vida, trazemos quase todos a marca da influência negra."

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Recortes de uma leitura

Há vários tipos de leituras. Leitura informativa, compulsória, prazerosa, lúdica e tantas outras... Porém, algumas nos tocam profundamente nos fazendo refletir, repensar as nossas ações...
Há poucos dias, li "Linha Direta com Deus" de Juselma Coelho, uma mineira, de Conselheiro Pena. A cada enunciado lido, um mergulho em nosso espírito, um alimento para nossa alma, um banho em nosso interior... Leitura leve, que alivia a nossa mente e areja o nosso cérebro!
Selecionei alguns recortes que vale a pena serem partilhados.

"A música, na vibração divina do amor, rasga o infinito e busca Suprimento Maior em regiões à mente comum, oferecendo-nos um banho de luz, na luz do Criador."

"Oração é alimento da alma, quando traz o carimbo da benevolência, da fraternidade e do trabalho."

"A prece bem sentida é a onda luminosa que consegue atingir o reino dos anjos. É fórmula divina para sermos socorridos onde estivermos."

"Orar é se resguardar contra as investidas do mal, é se precaver dos possíveis desequilíbrios, é fortalecer o coração frente às lutas do dia a dia."

"A tranquilidade de consciência, a humanidade, o amor sem barreiras, o perdão sem exigências e a benevolência deverão ambientar o campo mental (...) ."

"O comedimento, em todos os nossos atos, é uma valorosa súplica que nos deixa um entendimento dos direitos alheios, trabalhando para o bem-estar nosso e dos outros."

O livro todo traz em suas páginas conforto para o coração e uma oportunidade de reflexão que nos deixa com vontade de reler e indicá-lo aos amigos.


sexta-feira, 28 de novembro de 2008

A polissemia de nossa língua

Sem "sombra de dúvida", a nossa língua nos proporciona um ilimitado poder de uso. Em recente artigo na revista Língua Portuguesa (novembro,2008, p. 38), Jean Lauand refere-se a essa versatilidade que o usuário da língua dispõe. Na visão desse autor, o fenômeno é mais extenso do que à primeira vista supomos. "Mesmo a mais inofensiva busca na WEB mostra a riqueza da língua e sua capacidade expressiva", afirma esse pesquisador, enfatizando que se "a inveja vem em ponta; o ciúme dá-se em pitada; a ingenuidade, em doses; a vergonha na cara, em pingos etc." Temos, ainda, "leve impressão , toque de classe, leve susto, traço de tristeza e resto de esperança".

O autor continua, mostrando a idéia de maior ou menor popularidade de expressões equivalentes à palavra "pouco". Por exemplo: pouco para prosa "é um dedo"; para cachaça, "dois dedos"; para guloseimas, "um teco". Já a pouca visibilidade dá-se em "palmo". Há também, "um fio de voz", "um pingo de gente" e "um pedaço de mau caminho"... E por aí vai, essa língua faceira, cantada em verso e em prosa ( sem ser um dedo)...

São tantas as variáveis lingüísticas que utilizamos que os estrangeiros "comem fogo" para discernir tantos usos e tantos significados. Desse modo, são estas expressões idiomáticas que, por trás da rotina e dos clichês, enriquecem o nosso idioma e possibilitam os diversos falares.

O autor vai muito além desses exemplos e incentiva que se faça um mecanismo de busca na internet, como o Google ou Yahoo para se descobrir a popularidade de muitas outras expressões, comumente usadas no nosso cotidiano. É ver para crer!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Em dia com as notícias

Muitas têm sido as homenagens ao centenário da morte de Machado de Assis. A Revista Língua Portuguesa ( nº 29, 2008, p.28-33), dedicou-lhe várias páginas em reportagem intitulada "O estilo do ano", escrita por Luiz Costa Pereira Júnior, que justifica ser Machado nosso maior escritor nativo de todos os tempos. Tempos, que segundo o autor, "são pouco mais de 500 anos, mas são nossos". Para ele, esse centenário "é bom pretexto para testar os recursos de escrita que o tornaram um dos textos mais elegantes da Língua Portuguesa". Uma agenda de eventos tais como, Ciclo de Conferências - ABL/ Rio de Janeiro; Homenageado da Edição - FLIP/Paraty; Exposição Temporária - Museu da Língua Portuguesa/São Paulo; Ciclo de Palestras - Casa Rui Barbosa/Rio de Janeiro, entre outros, foram organizados. Só para se ter uma idéia da difusão desse acontecimento, um site (www.literaturalivre.com.br) convida internauta a virar parceiro poético de Bentinho. A partir de um capítulo de Dom Casmurro, ( cap.LV - Um soneto), o candidato a parceiro do personagem, que topar o desafio, deve escrever um soneto que Bentinho não concluiu, criando seu poema, aproveitando o primeiro e o último versos por ele criados.
Outra iniciativa, em comemoração a essa data, são projetos editoriais a serem lançados este ano, os quais desafiam escritores atuais a refazer obras de Machado de Assis. Nomes de peso como Lygia Fagundes Telles, Moacyr Scliar e Antônio Carlos Secchin integram essa maratona, com organização de Rinaldo de Fernandes. Novas versões para os contos do escritor são também propostos pela Record, com organização de Luiz Antônio Aguiar. A Editora Publifolha lança ainda uma coletânea em que nomes como Cristóvam Tezza recontam os romances machadianos em histórias curtas.
Já o Instituto Moreira Salles lança edição dupla de seus Cadernos de Literatura Brasileira sobre Machado. ( Revista Língua Portuguesa, Nº 34, agosto de 2008, p.11). Além de "fac-símiles" de poemas desse autor, a edição resgata uma raridade bibliográfica, a "Cronologia de Machado de Assis", a mais completa empreitada do gênero, publicada em 1958. Outra homenagem fantástica é o ensaio fotográfico de Edu Simões que flagra, no Rio de Janeiro atual , o ambiente dos tipos machadianos. Será lançada, também, volume iconográfico relacionado a Machado, no Rio de Janeiro, organizado por Vladimir Sachetta e Hélio de Seixas Guimarães.
No dizer de Luiz Costa Pereira Júnior, " a poluição de homenagens é até pouca". Para ele, "o homem faz sombra. Seu texto, um século depois de sua morte, vibra".
Sem dúvida alguma, os segredos retóricos de Machado atestam que o autor brasileiro é universal. Justíssimas, pois, todas as homenagens.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

GT - Novas tecnologias na prática pedagógica

Campina Grande como sempre tem sido palco de grandes eventos educacionais, turísticos, culturais, artísticos e, nos últimos anos, o mês de junho tem propiciado a efetivação desses eventos, conjugando lazer com a valorização da cultura local e a produção de conhecimento científico. Foi nesse cenário que aconteceu o I Colóquio Brasileiro Educação na Sociedade Contemporânea - COBESC, promovido pela Unidade Acadêmica de Educação da UFCG, em parceria com a Pós-Graduação em Educação da UFRN.
Participei desse evento em um GT que tematizava sobre "Novas tecnologias na prática pedagógica", coordenado pelas professoras Rossana Arcoverde (UFCG) e Ana Beatriz (UEPB). Foi interessante percebermos, por meio dos trabalhos apresentados, (alguns deles de professores e alunos da UEPB), a importância dessa temática e as transformações na prática pedagógica dos professores que se utililizam desses recursos. As explanações feitas, com muita propriedade pelos apresentadores, demonstraram o interesse daqueles participantes em elucidar os questionamentos feitos e socializarem os resultados obtidos.
Em todos os trabalhos apresentados ficou clara a necessidade da formação docente nessa área, tendo em vista a importância e as oportunidades que são proporcionadas ao contexto educacional, levando-se em consideração que caminhamos para a efetivação de uma sociedade digital. O uso dessas tecnologias, além de diversificar e inovar a atuação dos educadores, "fortalece as interações sociais e a autonomia do aluno", como afirmou a Profa. Rossana em uma de suas verbalizações. Constatamos, também, por meio dos resultados de algumas pesquisas, que ainda é tímida a participação e o uso dessas tecnologias em sala de aula. É muito nítido para nós que a "tecnofobia", apontada como uma das causas de uma prática não efetiva desses recursos, seja o fator principal para o "mantenha distância", como se essas tecnologias representassem um perigo ao professor. É necessário que enfatizemos, mais uma vez, que a formação do professor em tecnologias digitais é fator preponderante como potencializador para uma prática de "letramento digital", não apenas dele, mas também de seus alunos, como política de inclusão digital. Sabemos que os alunos , mesmo que não tenham computadores em casa, são usuários dessa ferramenta, constatado pela observância do fenômeno "Lan House". Não se admite, pois, que o professor esteja excluído desse recurso de expansão das relações interpessoais, que oportuniza a interação entre seus pares, e principalmente, com seus alunos.
É preciso, portanto, que fortaleçamos esses usos, formando comunidades virtuais, que façam da Internet, não apenas o suporte físico que nos interconecta, mas que permita uma nova organização social inscrita na vida digital.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Descompromisso Crítico e Minimalismo Multicultural

Ao reler “Descompromisso crítico e minimalismo multicultural - exercícios em torno dos discursos”, da Professora Elizabeth Marinheiro, relembro a cena do lançamento desse livro, em Campina Grande-PB. Em monólogo interior, perguntei-me: o que acrescentar ao já dito pelo Professor José Mário, em magnífica apresentação? No entanto, vêm-me à mente os conceitos de Bakhtin e revejo com nitidez a existência da “multivocalidade” como marca característica dos discursos e redesenho o meu pensar. Reflito que os enunciados de cada discurso têm um percurso que faz com que carreguem a memória de outros discursos.
Releio, também, o autógrafo de Elizabeth, afirmando que “alguma palavra vinda (...) sobre este livro o deixará mais fortalecido.” Sinto-me encorajada! Os discursos da autora não me deixam calar. Calar verdades é ser cúmplice de injustiças. Calar verdades é, no mínimo, ser cúmplice de omissão... Não quero ser injusta. Não pretendo ser omissa.
É preciso, pois, registrar que o “outro” nos “exercícios em torno dos discursos” é constitutivo do sujeito e da linguagem. No dizer de Beth Brait, a autora “recupera o caminho bakhtiniano para a constituição de uma concepção de linguagem em que o dialogismo e a polifonia são alicerces necessariamente calcados” (...), resultando numa heterogeneidade discursiva.
Elizabeth parece eximir-se de ser a fonte do discurso e explicita a presença do “outro”, por meio do processo da “denegação”, instaurando a alteridade e delimitando o seu lugar para cirscunscrever o próprio território. E nesse “savoir-faire”, ao dividir seu espaço de interlocução, o sentido se subjetiva e o discurso multifacetado se revela.
Entretanto, nesse amálgama de enunciados e nesse jogo de produção de sentidos, meu olhar se volve para um texto em particular: “Última página?...”. Tomo as palavras da própria autora para falar desse texto: “O olhar se estende ao espaço epistolográfico para dizer o coração. Os estados do coração criam aquela voz que não se desvincula da vida. A inteligência sai da pena com forma de sangue, de lágrimas. De amor, saudade, comunhão.” (Das epístolas, p. 106). Este enunciado, por si só, ressignifica qualquer leitura do texto “Última página?...”.
É como se a autora voltasse ao palco da enunciação para encenar apoteoticamente as suas dores, as suas saudades, o seu viver... Porém, ao falar a linguagem do amor, na dimensão maior da plurissignificação, se instaura, paradoxalmente, uma presença/ausência, uma vez que a coexistência de si mesma e da outridade resulta numa enriquecedora confluência de discursos.

Campina Grande, 07.08.2007

terça-feira, 15 de abril de 2008

Dimensão - Revista Internacional de Poesia

Dimensão é uma "publicação aberta a todos os poetas, desde que sua obra esteja de acordo com a linha editorial de modernidade, contenção verbal, rigor, elaboração da linguagem e/ou pesquisa, experimentação e criação de novas linguagens". Inicialmente, vem com uma explicativa sobre a "Finalidade da Arte" enfatizando a posição da arte no contexto social, ressaltando as "duas concepções opostas, irreconciliáveis: a arte vista em si e por si mesma, como produto estético, e a arte entendida como expressão do ser humano, com multiplicidade de objetivos e funções, entre os quais, também o estético". Em seguida, a revista é organizada em seções cujo teor versa sobre:

  • Poemas em textos, ou seja, poemas pós-modernistas, considerados "concretos" por centralizarem-se na palavra como coisa, num procedimento antidiscursivo. Dessa forma, seus autores valem-se "da fragmentação de palavras, da associação de vocábulos pela aproximação fônica, atomizam partes do discurso, rompem com a sintaxe tradicional, desintegram os vocábulos em seus morfemas explorando o ludismo sonoro e o branco da página..."
  • Visuais, isto é, poemas chamados "processo" por instaurarem uma nova codificação para o texto, a partir do "processo" e não das palavras, o que resulta numa nova linguagem. Confere-se, assim, ênfase ao projeto e sua visualização. Como dizem seus autores "a palavra pode ser ou não usada, não se trata de um elemento indispensável."
  • A insurreição do neo-branco mostrando que o movimento não é uma "escola", não possui princípios normativos como o verso livre ou as "palavras em liberdade" e que o seu ponto de contato com a Modernidade está na metalinguagem.
  • Seção especial ressaltando "La poesia experimental uruguaya" de cunho pós-modernista, cujas tendências se valem dos últimos recursos da técnica, no que diz respeito à "multimidia".

Como vimos, "Dimensão" é uma revista que extrapola os parâmetros dos "já ditos" para se revelar à liberdade plena de criação e à multiplicidade sígnica.

Campina Grande, 15.11.95

sábado, 12 de abril de 2008

Certos Movimentos do Coração

Certos Movimentos do Coração é mais um livro do poeta Ruddy, que desnuda a sua alma numa cadência de sentimentos, sem máscara, hipocrisia e/ou camuflagens, buscando o que tem de mais valioso - autenticidade.
Ruddy coaduna Amor e Arte "como irmãos inseparáveis e amantes em incesto invulgar invadindo-lhe o SER". E nesse colóquio Arte x Amor, o encontro foi possível, a despeito de todo e qualquer preconceito social e obstáculos levantados por pseudos-moralistas. O encontro definitivo acontece e ele já não se fecha em si mesmo. Pelo contrário, abre o seu coração e canta: "joguei no mar/a chave do meu coração. /Agora vai ficar legal./ Deixei a porta aberta/para quem quiser entrar." E vai mais além, no seu grito de criticidade e de compromisso com o verdadeiro SENTIR e VIVER no poema Amor Louco - "Chamem a ambulância/ o prefeito/ a polícia/ Chamem a TV/ o cinema/ o rádio./ Quero que todos saibam que tenho um amor/ maior que a vida/ à margem de gritos e escarros/ além de sussurros clandestinos/ acima de uivos e rumores/ um amor incandescente de infinito". E o poema pára, enquanto a infinitude desse amor prossegue na beleza de seu último verso, numa estrutura que estabelece, insofismavelmente, o ritmo circular, infinito de vida cósmica, sem princípio, nem fim. Mas, nessa junção Arte e Amor, a dor se faz presente e em "delírio" e comunhão - Arte x amor x dor atingem a aspiração suprema e íntima do seu ser e fazem-no dizer: "Senti/ a dor e o amor/ como os pombos/ pousando nos beirais/ aos pares/ sofri a miséria do mundo/ e fui feliz". E para o poeta, seguir a sua trajetória interior, através de depoimentos dos que o amaram, o deixaram de amar ou o amarão, é uma fascinante aventura em busca da alma encantada.
Ruddy faz "um delírio debochado da vida" como bem disse o poeta Francisco Maciel, sem circunlóquios e/ ou apelações, enriquecido de sensibilidade e senso crítico. O prazer pelo prazer, o erótico são presenças constantes nos seus versos carregados de um linguajar despojado de falsos padrões, deixando aqui ou alhures a marca personalizada de seu EU assumido e coerente.
Em "Certos movimventos do coração" como nos movimentos da alternância DIA x NOITE há um jogo temporal onde o HOJE e ONTEM e o AMANHÃ provocam uma interdependência de fatos, todos ligados pelos mesmos sentimentos: o amor à vida, o viver intensamente, como se houvesse a consciência de que os homens no incompreensível labirinto da vida, caminhassem sem jamais se encontrarem,condenados a uma mórbida solidão. Por isso Ruddy confessa em seus versos: "Tenho medo que o tempo/ não me deixe chegar até onde minha alma almeja". É tentando temporizar inexoravelmente flui, faz da noite sua aliada nesse desejo de temporização, proclamado: "Minhas noites/possuem a magia/ do transporte além de mim/ me envolve em fantasia/ e crio novos dias". Nessa cumplicidade com a noite ele prossegue, pois "as palavras ditas na noite/ têm o gosto doce do sexo/ e caem como véus sem verdade".
Eis o que reflete o autor de "Certos Movimentos do Coração" que terá, certamente, leitores co-partícipes desse ato criador e juntos percorrerão veredas ao embalar dos versos translúcidos do Ruddy, PINHO aromático que com fragância e performance enobrece os Congressos/88.

Campina Grande, 1988.

"Eu, poeta em prosa e verso de Amaury Vasconcelos

"Quem sou, de onde vim e para onde vou"

são indagações de um narrador personagem esclarecidos no livro "Eu, poeta em prosa e verso".

De temática versátil e tendo a intertextualidade como presença forte nos seus poemas, Amaury Vasconcelos é o viandante inquieto que aporta em espaços fantásticos e faz com ques seus leitores se transportem a mundo imaginários, através dos personagens mitológicos que marcam suas narrativas poéticas. Estas, por sua vez, carregadas de isotopias, fazem o encadeamento lógico indispensável para o surgimento do "devir" dos vários sentidos do texto, através das coerências semânticas ensejados por seus versos.
O autor, "samaritano do bem querer" faz do AMOR a temática redundante em vários dos seus poemas, sem contudo, deixar de encaminhá-la para o interior de uma redundância supercodificada, completando, dessa forma, o desvio da norma. Mesmo assim, driblando a metáfora, o poeta é o apaixonado perene que decanta a eterna namorada, provando que "a união que emana do somatório deste amor eterno" em "tessitura se amalgama" e "não se destrói porque foi feito/ só de carinhos, renúncia, ternura".
Em "Eu, Poeta em Prosa e Verso", os poemas eróticos (vários) são canções que embalam ao som de "violinos de amor e arpejos". E a própria "volúpia" transmitindo "o desejo incontido/ a vontade do orgasmo".
As comparações da mulher com a natureza, entre prosopopéias e aliterações, entremeadas de metáforas (peculiaridade indispensável no grau de literiaridade textual) fazem do "Eu, Poeta em Prosa e Verso" um livro que chega ao extremo da criação. E o poeta questionando as idiossincrasias da própria natureza para no seu próprio criar, responder-se a si mesmo.
Entretanto, eis a grande surpresa! Tendo em vista os laços estreitos que o poeta estabelece entre a retórica e a poética, o autor nos surpreende com versos de linguagem popular, a exemplo de "O casamento" e o "O beijo da caboca" (sic). É o autor se desembaraçando do seu "EU" intelectual, invertendo as perspectivas e introduzindo no seu discurso o que há de mais puro e ingênuo de seu "EU" lírico.
Ler Amaury Vasconcelos, "viajante feliz e permanente" do universo plurissignificativo da linguagem literária, é, portanto, mergulhar nos meandros infindáveis do discurso poético.

Campina Grande, 22.05.93.

Itacoatiara - uma revista de Cultura

Itacoatiara é uma revista da Secretaria de Educação e Cultura do Estado da Paraíba. Idealizada pela Secretaria Adjunta de Cultura, em convênio com a Associação Brasileira de Semiótica/Regional da Paraíba, ambas dirigidas pela Profª Elizabeth Marinheiro. Itacoatiara é "um espaço vivo no sentido de aglutinar o melhor e o mais representativo da criação artística e intelectual da nossa região", segundo seu próprio editorial, além de "instrumento eficaz de intercâmbio cultural com outros Estados e outras regiões do País".
Em sua primeira edição (ano I, nº 01, abril/maio/junho/1993), cujo título evoca as inscrições rupestres das Pedras do Ingá, Itacoatiara convida seus leitores a uma primeira leitura, através dos sentidos múltiplos sugeridos no texto iconográfico de sua capa. Signos questionados e questionadores...
A revista firma-se pela abertura " transdisciplinar" que sua linha editorial adota. A competência de seus articulistas, ensaistas, contistas e poetas são marcos que transcendem os contextos, vencendo o tempo e o espaço. Isto prova que é universal, entre os homens, a necessidade e a habilidade de criar a linguagem.
Itacoatiara possibilita, ainda, por meio do ecletismo de suas produções, (filosofia, linguagem, literatura, cinema, comunicação de massa, direito, fotografia, contos e poemas) a redimensão dos sentidos do texto, que não estão, necessariamente, ali, mas sim, "nas relações de força que o lugar social dos interlocutores propicia", constituindo, enfim, o processo de significação.
E na mesclagem textual oportunizada pela revista, o leitor interage com outros sujeitos, ultrapassando a "objetividade" dos escritos, extrapolando a mediação natural existente entre leitor e texto. Em verdadeiro "jogo interacional" ensejado por esse periódico, o leitor, em ato de recriação, tece o seu próprio texto na perspectiva, porém, de que não existe "autor onipotente" nem tampouco "leitor onisciente".
Itacoatiara é, portanto, a intertextualidade originária e a polissemia constante, condição sine qua non para a leitura proficiente.

Campina Grande, 17.05.93

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Lendo Álvares Fernandes

Comentar poemas é uma tarefa que me apraz. É o exercício lúdico/crítico somado a mais uma experiência, oportunizada por pessoas que confiam na minha visão de amante da literatura. Dentre essas pessoas, está Álvaro Fernandes e ler seus poemas é abrir as cortinas de um palco onde autor/ator se confundem, se imbricam, se entrelaçam fazendo " do palco a fonte de energia mais forte e mais pura". Contudo, para o ator/poeta que "imagina o sonho de paz entre os homens" o palco não é apenas seu campo de luta. É na poesia que ele estende todo seu potencial criador, num orgasmo de dor e prazer, transmutado em versos impregnados de sensibilidade poética.
E essa sensibilidade, em impulso criativo, faz com que o poeta pense oniricamente.

"Ontem eu sonhei/ que os homens/ violentaram o branco/ que era a paz/ castraram o verde/ que era a natureza..."

Mas num despertar cruel, ele conclui:
"Assim mataram o sonho/ e devastaram a vida/ Quando o amanhã nasceu/ o
mundo estava despido/ Era João/ sem teto/ sem rima/ sem pão."

A realidade social é introduzida por uma metáfora que desencadeia em reprospectativa nos lexemas anteriores e o processo é referendado pelas relações simbólicas codificadas. Como um marco divisor de águas:
"Os rios que cruzam nossas vidas/ são as águas podres/ das sujeiras dos ricos"

Em "Homem Deserto" o poeta soma os seus silêncios e "solitário, sofrido, caminhando/ querendo gritar o seu grito..." em defesa dos oprimidos, reune em processo intensificador, toda sua preocupação com o social, demonstrando a coragem de quem avança na direção da verdade. Poesia é também denúncia. Os poetas não vivem isolados. Os gestos dos poetas não se divorciam do todo. E na ciranda do cotidiano, vem à tona o problema do menor abandonado, do "menino de rua" que
"só tem ocaso/ se por acaso/ a noite chegar/ chegar sem pão/ de pé no chão..."

A poesia propicia o refletir lírico e sentimental. É nesse refletir que faz brotar no poema "Ansiedade" o tédio que a vida lhe impõe, verdade individual marcada humanamente através da poesia:
"Me aborreço e saio/ A noite está bêbada/ cheia de vômitos, fria",
o que é ratificado nos versos do poema "Caos":
"Um tédio/ invade meu quarto/ no escuro/acendo um cigarro/ a cidade continua dormindo/ tudo é simplismente caos..."

Acompanhando esse tédio, vem o receio de não viver o suficiente, divorciado, porém, do íntimo e intransferível gesto de libertação:
"Não sinto medo/ de rever o amanhã/ Mas,sinto receio/ de não ter vivido tudo de
ontem."

E é esse receio que faz brotar no poeta a extraordinária força poética e humana, em defesa da essencialidade do ser, em contrapartida com o tempo que inexoravelmente passa, quando ele diz:

"Se o relógio/ o calendário/ e o tempo correm/ tenho certeza que vivo/
intensamente cada instante."


A poesia ajuda o homem a se encontrar consigo mesmo em comunhão interior. Álvaro Fernandes dá um mergulho no seu eu mais profundo e desnuda-se nos seus poemas, afirmando: "
"Não tenho caminhos para seguir/ todos eles terminam em mim/ nada de
concreto sei/ Meus abismos são secretos demais/ Neles existo como
sentença".


E com características intrínsecas de sua lírica, o poeta afirma:
"Vou recolher minha alma/ para se despedir da tarde/ e juntos
navegarmos noite a dentro/ mandar as mágoas e as dores/ para o fundo do mar/
depois voar o mais alto/ que puder/ e me misturar com o infinito."


Desta forma, o poeta se elege livremente, isto é, decide ele mesmo sua situação no mundo. E é no mergulhar do seu ser que faz ressurgir o poeta/homem que aprisionado pela solidão, na certeza da efemeridade da vida, suplica seu desejo:
"Rasga minhas roupas/ quero te possuir antes que o dia rompa/ e tu
descubras que tudo foi ontem/ e hoje só restou/ o orgasmo de tudo."


É nessa imersão que ressurge o homem que ama e que sonha, mas que inexplicavelmente vê suas aspirações e desejos nascerem irrealizáveis. Por isso, ele diz:
"Mataram minhas emoções/ assassinaram meus sonhos/ meu âmago acumulou/ todas
as dores do mundo."

Uma ponta de amargura se instaura e o poeta desabafa:
"Tenho sede/ dão-me amargas palavras para beber/ Tenho fome/ dão-me a frieza para saciá-la/ Sinto-me só/ não sou mais multidão"

É nesse ritmo que se esboçam as coordenadas psicológicas e o poeta se sente
"entre a fumaça psíquica/ da neutra sensibilidade humana."

sentindo
"o promíscuo orgasmo imaturo do existir/ numa eterna busca/ de equação
complexa..."

E o poeta grita em êxtase:
"gritos rasgados da alma/ despreendendo as gotas angustiantes do
existir."

Assim é Álvaro Fernandes, poeta da vida e do amor que faz da fala poética "morte e ressurreição da linguagem"; que faz da poesia, teatro e do teatro, poesia.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Presença de José Américo na literatura de Cordel

A literatura de Cordel tem se destacado pela multiplicidade de seus temas e estilo peculiar de seus autores. São composições poéticas que têm motivado vários estudos com as mais diversificadas abordagens.
A professora Neuma Fechine tem sido, na Paraíba, uma das mais entusiastas pesquisadoras nessa área, "dedicando a maior parte de sua vida" a esses estudos.
E foi justamente essa disposição que levou a escritora a verificar quais as relações entre José Américo e a literatura de Cordel e vice-versa.
Desta forma, a professora Neuma Fechine enobrece o acervo cultural paraibano com mais uma obra - "Presença de José Américo na literatura de Cordel". Além de mostrar o interesse de José Américo pela literatura popular, refletido, não apenas, em "A Bagaceira", como também em outras obras de sua autoria, a pesquisadora ressalta a presença de José Américo na produção de poetas populares.
Em trabalho exaustivo e dedicado, em um corpus constituído de oito mil folhetos, a pesquisadora vai além das expectativas, abordando dados de caráter biográfico e de caráter político, explorados pelos cordelistas. Cada citação (recorte-amostragens) é enriquecida de reflexões importantes, demonstrando o domínio intectual da autora, em relação à temática.
Vale a pena ler "Presença de José Américo na Literatura de Cordel", visto que, além do deleite natural que a produção literária instaura, o leitor terá oportunidade de apropriar-se de conhecimentos histórico-políticos por meio de versos "exaltativos" que refletem o carisma acerca do notável paraibano José Américo de Almeida.

Campina Grande, 15.05.95

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Tu não estás só na multidão



Tu não estás só na multidão...


"Criar é ser Aquele que É; Criar é matar a morte"
Jean Christophone


E tu, num "orgasmo de criação" fizeste dos teus poemas "um parto feliz, retirando dos destroços do quarto de despejo da existência" a "Forma Feliz", o leitmotiv, o fio condutor para viver.

Teus poemas carregados de um cepticismo até certo ponto preocupante, são "BARCO SEM VELA" que "acumulando pesadelos e desencantos vão navegando com todas as intempéries para não naufragar". E na luta da sobrevivência, contra os vendavais que carregam teu "Barco sem Vela" para aportar quem sabe onde, tu navegante sem rumo "implodes o sentimento verdadeiro". Mas na ânsia de VIVER, te fazes voz de inúmeras mulheres que arraigadas de preconceitos e princípios se encorajam, para "abrir a janela/ Qual pássaro sedento/ de vida/ de liberdade".

Em teu estilo cheio de adjetivações ricas e antíteses fortes, questionas o existencial. Abordas dialeticamente VIDA x MORTE, AMOR x ÓDIO, RISO x CHORO, na preocupação de que "As pessoas valem/não pelo intrinsecamente ser/ mas pelo materialmente ter".

E dás teu grito de denúncia e revolta, quando "na ânsia pessoal de transformar o mundo" reclamas por "verdade e justiça". Na tua visão multifacetária, de uma sociedade díspare, imperativamente, como se pudesse ordenar, dizes: "Veja a criança abandonada/ Veja o operário com espinha dorsal quebrada/ Veja o professor com faringite/ Veja o marginal perseguido/ Que a própria sociedade gerou".
E num sentimento mais forte, em ti "o amor transcende fronteiras" e quantas vezes, procuras sufocar "A pior lágrima/ Aquela que se derrama/ no silêncio profundo", para epicuristicamente "viver hoje todos os segundos".
Não, Socorro, Tu não estás "só na multidão" porque teus versos gravitam em torno de ti, multiplicando-te em várias facetas, nas várias mulheres que a tua consciência artística criou e impõe no ecoar dos tempos. Imortalmente.