Acordei com vontade de chorar!
Acho bom chorar!
As lágrimas lavam a alma,
Libertam as emoções...
De repente, recebo uma boa notícia!
Seriam as lágrimas prenúncio de um bem?
Não sabemos! O que é certo é que elas brotam lá do íntimo...
Lágrimas! Podem ser de tristeza ou de alegria...
Como as flores, estão presentes em qualquer situação.
Que venham sempre as lágrimas de alegria.
É o que te peço sempre, Senhor Jesus!
sábado, 14 de maio de 2011
Lágrimas
domingo, 8 de maio de 2011
Família Reunida
Os dias das Mães que, coincidentemente, acontecem na data oito de maio, geralmente, me deixam muito triste, por ser exatamente nesta data, dia das Mães, que Julieta, minha venerada Mãe partiu... No entanto, hoje, extranhamente, contive as emoções, a saudade, e o sentimento de "perda", tanto da mãe querida, como do filho amado que também está "do lado de lá"...
Resolvemos todos almoçar em casa, no aconchego da família. Filhos e netos juntos (exceto os de Cuiabá), mesa farta, graças a Deus, consegui alegrar-me ao ver minha casa cheia e cercada do que há de mais precioso para mim, a família.
As conversas amenas, os comentários bem humorados, os sorrisos nos rostos, tudo fazia com que celebrássemos aquela data com simplicidade, mas com grandeza de alma. Aquele instante, para mim, superou até os presentes recebidos e as flores que vieram acordar-me...
Além disso, os telefonemas de meu irmão Djalma e minha irmã Albani, oportunizaram a dimensão semântica da palavra afeto, nas trocas fraternas que simbolizaram o nosso sentimento maior, o nosso grande amor à nossa mãe e a gigantesca falta que se fazem elos a nos unir na grande corrente da saudade...
À tardinha fui à missa! Orei, agradecida, pelos "benefícios de Deus" na minha vida. Obrigada, Senhor!
sábado, 23 de outubro de 2010
Centenário de Julieta de Lima e Costa
Nada, nem ninguém apagam a História. Ela é um registro vivo de tudo que aconteceu na vida de alguém. Felizes os que têm histórias pra contar ou serem contadas. Os que passam pela vida e deixam marcos históricos são privilegiados. Agradecemos, portanto, a Deus por nossa Mãe, Julieta, ter tido o privilégio de ser reverenciada pelos seus feitos e pela História que construiu como Mãe, Mulher e Profissional. Como Mulher, foi companheira devotada e a dignidade personalizada na edificação do lar; como Mãe, foi a genitora dedicada e generosa que deixou como herança um modelo a ser seguido; como Educadora, plantou sementes que frutificaram de forma extraordinária! 
A constatação disso se deu por ocasião do lançamento do livro “Bordados de uma vida – Julieta de Lima e Costa”, em Nova Floresta, no dia 06 de outubro de 2010. É inegável a demonstração de carinho das pessoas, naquela solenidade que homenageava a inesquecível professora, mãe, avó, tia, amiga! Familiares e amigos se irmanaram numa comunhão fraterna e solidária de declaração de amor e exaltação àquela que só fez o bem.
A programação, organizada por Lourdes Barreto e Lourdes Belo, (sobrinhas de papai) a começar pela missa solene, nos comoveu pela representatividade e beleza em seus mínimos detalhes. A Igreja estava repleta de pessoas de Nova Floresta e Cuité que rogavam ao Senhor luz para aquela que colaborou com a construção daquele templo e que louvavam também por poderem prestar essa homenagem junto a seus filhos e familiares. Orações, flores e músicas, em verdadeira simbiose, espelhavam um único sentimento, num misto de saudade e gratidão, cujas emoções eram retratadas pelas lágrimas que, teimosamente, fluíam dos olhos de muitos.
Após a missa, as emoções continuaram quando, no salão paroquial, uma mesa forrada com uma toalha, bordada por Julieta e ornamentada com rosas vermelhas e “carinho de mãe”, servia de suporte para os exemplares do livro que seria lançado. Os “slides” preparados por Rossana
Arcoverde, sua neta, preenchiam aquele ambiente com uma atmosfera afetiva que acompanhado pela sintonia daqueles jovens flautistas tocando “A montanha”, nos enlevava para outras dimensões...
Naquele ambiente, uma pluralidade de linguagens testemunhava o grande amor que as pessoas devotaram a Julieta, chamada por muitos de Etinha. Era a festa da palavra, enriquecida pela música, pelas imagens e por gestos que irão perpetuar-se no coração de seus filhos, netos e bisnetos.
Todos nós da família nos sentimos extremamente gratificados e agradecidos a Deus por nos premiar com esta dádiva.
O nosso preito de gratidão ficará gravado em nossas mentes para sempre!
Obrigada Nova Floresta! Obrigada Cuité!
sábado, 8 de maio de 2010
Os espelhos da alma
A nossa alma é um mosaico de espelhos que refletem os nossos sentimentos e que variam conforme as nossas circunstâncias ou contextos. As alegrias, as solidões, as emoções, as desilusões, as decepções, as esperanças, as expectativas, as saudades e tantos outros sentimentos formam esse mosaico que se constrói no desenrolar da vida.
Em determinados dias, essa urdidura mosaica se acentua e algumas delas se sobressaem pela importância que se constituem no desenvolvimento de nossas subjetividades. E neste contexto de subjetividades, "casa de todas as riquezas humanas", o nosso sentir se faz mais forte e se acentua com mais vigor, porque algumas lembranças persistem em se fazer presentes, por razões que lhes são pertinentes.
É, então, nessa condição silenciosa que me aproximo de Deus e elevo ao Alto preces carregadas de amor para receber o conforto necessário e o aconchego maior que possam preencher este vazio de uma ausência tão sentida, na certeza de que "Deus chora nos lábios de quem reza".
sexta-feira, 30 de abril de 2010
O saudoso Coreto
Rememorar fatos de nossa juventude nos traz um pouco de nostalgia, mas ao mesmo tempo, se transforma numa saudade gostosa que nos alimenta a alma e nos faz sentir viva... É ter a certeza de que registrar determinados fatos é cultuar na memória o que não deve ser esquecido jamais.
Matricularam-me, então, no Grupo Escolar Vidal de Negreiros para cursar o quarto ano. Mirtes Venâncio foi a minha professora, de quem guardo excelentes recordações, pela competência e amor com que se dedicava ao magistério. Concluído o quarto ano, fiz o primeiro Ano Complementar e, em seguida, fui preparar-me para o Exame de Admissão, um verdadeiro vestibular. Aprovada no Exame de Admissão fui admitida para a o Curso Normal, que funcionava no Instituto América, onde estudei até o quarto ano Normal, com excelentes professores e uma qualidade de ensino de causar inveja às Universidades de hoje. Quantas saudades das minhas colegas e daqueles professores abnegados, alguns deles já em outras galáxias. Certamente, nos espaços celestiais pelo bem que plantaram aqui na terra.
Nesse período, minha mãe já se transferira para Cuité e lá continuamos desfrutando de todos os benefícios que a cidade oferecia na época.
Lembro-me com muitas saudades dos passeios ao redor da praça, ornamentada por lindos canteiros de flores, onde eu e minhas amigas trocávamos ideias, “curtindo” a juventude de uma adolescência saudável e mantendo os nossos “flertes” (palavra usada na época, em lugar de “paquera”) em dia, numa troca de olhares, até certo ponto inocentes. Quando muito, uma paradinha, um aperto de mão, complementando a linguagem do olhar e interagindo de forma mais significativa. O aperto de mão é uma linguagem simbólica e tem caracteres que fazem dele um operador dinâmico de sentidos, em vários contextos. Ele suscita várias leituras e permite revelar todo um “falar” com as mãos, assim como é também a linguagem do olhar. Essa maneira de ver e conceber, por apreensão intuitiva da natureza humana, permite um jogo de retornos reflexivos. Por isto, o nosso coração batia acelerado, numa ritmia acentuada como se quisesse gritar ao mundo aquela demonstração de afeto e carinho recebidos e, geralmente, testemunhada pelas amigas.
Mas, nada podia ser comparado às emoções proporcionadas pelas retretas do Coreto, quando os músicos da orquestra tocavam, e nós, mocinhas da época, dançávamos embaladas pelas melodias e pelos braços do parceiro, geralmente, rapazes de nossa faixa etária que nos faziam a corte. Quantas músicas bonitas, de saudosas lembranças!
Sabemos ainda, que muitas são as fotografias de grupos de pessoas que participavam das belas festas de Cuité e escolhiam aquele Coreto como palco específico para o registro dos variados eventos que se promoviam na cidade.
Como olvidar, pois, um espaço semiótico daquele, que oportunizou tantas leituras e que deixou guardado em nossos corações tantas lembranças? O que nos marca é inesquecível! Esquecer é impossível!
domingo, 28 de março de 2010
Emoções!
Neste ano de 2010 minha mãe, a Professora Julieta Lima, completaria 100 anos de vida. Esta data nos envolve para um contexto que evoca lembranças e muitas saudades. Eu e meus irmãos, Djalma e Albani, resolvemos homenageá-la, organizando um livro, com a colaboração
imprescindível de sua neta Rossana, contando alguns fatos relacionados à vida de Julieta. Não é preciso dizer da emoção que nos envolve e das lembranças que nos vêm à mente.
Dessa forma, não podemos separar as duas cidades onde ela viveu e prestou serviços como educadora. Seus feitos, seu envolvimento cultural, suas vivências e seus enredos sociais são todos relembrados com muita nitidez, tendo em vista que as lembranças, como um “flash” em nossas mentes, passam de uma em uma, registrando aquilo ou aqueles que não queremos esquecer e que merecem registros.
E nos vem à mente Nova Floresta e Cuité, como palcos dessa história de vida. Nova Floresta , naquela época, distrito de Cuité, onde ela foi a primeira professora. Onde ela implementou projetos inéditos e onde alfabetizou muitos filhos daquela cidade. Hoje, duas cidades vizinhas, que crescem acompanhando o desenvolvimento de um tempo globalizado.
Mesmo assim, a professora Julieta Lima, enfrentando as dificuldades da época, já vislumbrava um futuro melhor para aqueles que com ela estudavam e já os preparava para um porvir que, certamente, os filhos e netos daqueles alunos iriam desfrutar.
Ao prepararmos esse livro, verificamos quanto era difícil naquele tempo formar um filho, encaminhá-lo para galgar espaços maiores. Só os que detinham um certo poder aquisitivo podiam mandar seus filhos para estudar fora. A não ser os destemidos que enfrentavam todas as dificuldades e os encaminhavam para superar as agruras da vida lá fora e conseguir a duras penas os objetivos traçados. E foram muitos os cuiteenses e também, os florestenses que conseguiram êxito.
Atualmente, os filhos destas cidades desfrutam de um Campus Universitário em Cuité, que abriga não só os filhos da terra, mas também, de toda região circunvizinha, atendendo a todos que querem continuar seus estudos. Fico feliz, ao constatar que o Diretor desse Centro, Ramilton Marinho da Costa, é justamente um neto de Benedito Marinho, parente de mamãe e amigo da família, de quem Julieta Lima recebeu acolhida, quando chegou em Nova Floresta, ficando inclusive hospedada em sua casa.
São inúmeros registros que teremos a oportunidade de fazer, contando também com a colaboração de familiares, amigos e ex-alunos que já se prontificaram a colaborar com esse projeto de resgate histórico, importante para nós, familiares, mas também, para a memória da educação dessas duas cidades.
Orgulha-me, portanto, ser filha de alguém que contribuiu para o fortalecimento educativo-cultural dessas cidades e em cujos espaços plantou a semente do saber.
quinta-feira, 25 de março de 2010
Três vitórias
Festejar vitórias é sempre muito bom. Louvar a Deus por elas é um dever. "Louvai a Deus por tudo"; "Sede agradecidos", diz o Evangelho. Por isto, neste ano de 2010, tenho muito o que agradecer. Fui premiada com três grandes vitórias: Meu filho Edjarde, que voltou a estudar depois de uma grande pausa, concluiu seu Curso Superior em Administração pela Universidade Federal de Campina Grande; meu primeiro neto, também Edjarde, colou grau em Direito pela Universidade Federal da Paraíba e outro neto, Danilo Arcoverde, (filho do primeiro Edjarde) foi aprovado para o Curso de Engenharia pela Universidade Federal de Campina Grande.
Costumo dizer que a grande herança de uma família é a riqueza do conhecimento, principalmente quando este conhecimento é atestado, comprovado e celebrado por uma Instituição. Não resta dúvida de que esta riqueza jamais será corroída pela traça, o tempo não a destruirá, nem ninguém a usurpará. E se não temos recursos materiais, por meio do conhecimento é possível conseguir atingir metas ou realizar a consecução de objetivos.
Foi com esta perspectiva que voltei também a estudar depois de longos dezessete anos e sempre afirmando que se não deixava como herança para meus filhos bens materiais, eu deixaria como referência e exemplo maior todo o meu sacrifício de voltar a estudar depois de casada e mãe de cinco filhos, enfrentando dificuldades das mais diversas.
Valeu a pena e faria tudo de novo, se preciso fosse. Como se diz popularmente, o exemplo vale mais do que mil palavras. Registro neste espaço estas bênçãos do Senhor sobre minha família.
Obrigada Senhor! Eu te louvo e te glorifico!
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Encontro de Coordenadores em EaD
Não imaginava eu que as oportunidades batessem à minha porta, principalmente, em Educação a Distância. De repente, vejo-me em Brasília , no prédio da CAPES, participando e discutindo com colegas professores de vários estados do Brasil, Coordenadores de Cursos de Letras,
especificamente, sobre EaD. Naquele momento, constatava como as experiências que adquirimos ao longo dos anos são importantes e, mais que isso, como é salutar estarmos abertos a novos aprendizados. Foi justamente essa predisposição que tenho para aprender e também a coragem para enfrentar desafios que me oportunizaram a experiência de participar do Programa em EaD da Universidade Estadual da Paraíba. De início, timidamente, ajudando na elaboração de Projetos, em parceria com a UFRN e UPE, atendendo à chamada de edital do Pró-Licenciatura.
Logo a seguir, fazendo parte da equipe docente que elaboraria as disciplinas do Curso de Geografia, precisamente, Leitura e Elaboração de Textos, vinculada à minha área. E, ainda, colaborando com a revisão lingüística de todo material didático produzido pela UEPB para esse Curso. Nessa ocasião, a parceria com a UFRN foi muito profícua e nessa Universidade, éramos orientadas para esse novo ofício.
A UEPB, porém, expande o seu trabalho, cria a Secretaria de Educação a Distância, amplia a equipe de EaD e já não tem medo de caminhar com as próprias pernas. Eis que, fortalecida no desenvolvimento do trabalho, a UEPB participa do edital Universidade Aberta do Brasil - UAB e encaminha os projetos de Letras e Geografia. Aguardamos todos o resultado e justamente, no dia da inauguração da Secretaria de EaD, chega a benfazeja notícia da aprovação do Curso de Letras e, logo depois , do Curso de Geografia.
Passada a euforia do primeiro momento, esperamos os novos contatos, que são concretizados com a convocação para o I Encontro de Coordenadores dos Cursos de Letras a Distância, promovido pela UAB para o qual tenho meu nome indicado como Coordenadora. O sonho torna-se realidade. A realização do Curso de Letras é uma concretização que nos propicia bastante euforia.
Dessa forma, verificamos que o Sistema UAB, voltado para o desenvolvimento dessa modalidade de ensino, expande e interioriza a oferta de Cursos de Educação Superior no País, cumprindo com suas finalidades sócio-educacionais e a UEPB, como instituição pública, que prima pelo fortalecimento da socialização do conhecimento e enfrentamento da exclusão social celebram esse acordo para concretização destes propósitos.
Resta-nos dispor as nossas energias para um trabalho que promete muita "transpiração", mas também, novas formas de atualização na longa caminhada que haveremos de fazer.
sábado, 2 de agosto de 2008
Tributo a um pai amigo
Há dias em que o nosso coração bate mais forte, fica apertado e a saudade se faz companheira. Como disse um poeta "a saudade é a companheira de quem não tem companhia". E aí as cenas semióticas e enunciativas se fazem presentes e são tão fortes e tão significativas que chegam a "machucar"... Foi assim que me senti hoje. A lembrança do "Velhinho Barreto" me levou às lagrimas... Lágrimas que num misto de saudade e emoção não podem calar pelo muito que representou para mim, meus irmãos e netos aquela figura de homem simples e forte. Enérgico e convicto de seus propósitos. Honesto e íntegro nas suas ações. Correto e de caráter firme em suas atitudes. A ele, devemos as lições de hombridade e de cumprimento com os nossos deveres. Costumava dizer que "a palavra de um homem é como um tiro" e documental como " um fio de bigode". Jamais vou esquecer que enfatizava: "Dado é dado, emprestado é emprestado". Embora que no momento do pagamento da dívida, recebesse, agradecesse o cumprimento do compromisso assumido, mas logo em seguida, devolvesse a importância, doando-a com um sorriso largo. Foram muitos os ensinamentos que eu e meus irmãos recebemos dele. Temos muito do que nos orgulhar de sua conduta, dos seus valores. Porém, um dos atributos que mais nos chamava a atenção era a sua inteligência e versatilidade. Era um autodidata. Nunca frequentou uma escola. Alfabetizou-se "sozinho", uma vez que casado com uma professora, convivia com livros e materiais didáticos que lhe impulsionaram ao que chamamos, hoje, de letramento. Gostava muito de cantar "loas"e de contar "causos". Admirava a poesia popular, portando sempre seu "companheiro" de escuta: um radinho de pilhas, hábito que herdamos também, dele. Assim, não descuidava de ligar o rádio para ouvir os programas de repentistas, os noticiários políticos e outros tantos que lhe interessavam. Com o advento da televisão, conjugava, ao seu bel prazer, esses instrumentos de comunicação e discutia com versatilidade os assuntos dos quais ele gostava.Cultivava, também, o hábito de ler a bíblia, o que lhe ampliava ainda mais o processo de letramento. De uma memória privilegiada, narrava sobre "pelejas" entre poetas repentistas que ele admirava. Djalma, também de memória admirável, (puxou ao pai, como dizemos por aqui), me repassou esta "que papai dizia, recorrentemente, para nossa alegria," entre Pinto do Monteiro e Louro do Pajeú.
Contava papai que Lourival Batista(Louro do Pajeú) falando sobre plantas, usou o termo "carola" em vez de "corola". Pinto do Monteiro bateu forte:
" Um rapaz que teve escola
E ainda canta errado
Fala em flor e diz 'carola'
Muito tem se confessado
Parte de flor é 'corola'
Precisa tomar 'coidado'. "
O cochilo de linguagem de Pinto do Monteiro, ao falar "coidado" em vez de "cuidado", ensejou a Louro do Pajeú a oportunidade de dar o troco, vingando-se do colega. E fulminou:
"Pra não ter um só errado
Errei eu, erraste tu
Errou Pinto do Monteiro
E Louro do Pajeú
Nesta palavra 'coidado'
Tira o 'o' e bote o 'u'."
Estas e tantas outras faziam parte do seu repertório, o que nos fazia escutá-lo, admirando aquele homem que tinha tantas qualidades e que serviu de parâmetro para nós, seus filhos e netos, que cultuamos a sua memória e nos espelhamos nele sempre que preciso for.
Por tudo isto, pai amado, você mereceu o nosso carinho e dedicação, especialmente, de sua neta/filha Rossana e dos demais filhos, netos e bisnetos que pranteamos, hoje, a sua ausência.
Oh! querido paizinho! Quanta admiração! Quanta gratidão! Quanta saudade! Não dá para expressar tudo neste texto... As lágrimas não me deixam continuar...
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Educação a Distância
Hoje, fiz contatos com meus alunos de EaD, da disciplina Leitura e Elaboração de Textos. Ao interagir com eles no fórum de discussão, fiquei mais uma vez entusiasmada com as perspectivas que o ensino a distância proporciona a esses alunos. Verifiquei também que muitos deles ainda são limitados no uso da informática. No entanto, é necessário que se registre a oportunidade de inclusão social que essa modalidade de ensino proporciona a esses alunos, pois apesar das dificuldades, estão resgatando sua auto-estima, tanto por estarem fazendo um curso de nível superior, quanto pelo letramento digital que experimentam por força das circunstâncias. Alguns deles, em depoimentos escritos na avaliação presencial, afirmam do prazer de ter voltado a estudar e poder realizar um sonho acalentado há tanto tempo. Outros, por circunstâncias de localização geográfica, trabalho ou outros motivos, dizem da alegria de serem universitários e de vislumbrarem um futuro promissor.
A disciplina que acompanho, como elaboradora do material didático e professora formadora, é específica da área de Lingüística Aplicada, e por isso, exige que o aluno leia e escreva bastante, o que faz com que muitos deles demonstrem algumas limitações próprias de um ensino de língua inadequado, marcado por uma prática ineficiente, mostrando que a escola enquanto principal agência de letramento não cumpriu bem sua função. São estes alunos, mais do que outros, que precisam de nossa atenção, que fazem com que estabeleçamos interlocuções mais freqüentes e que os incentivemos a escrever, tendo em vista que será esse fazer contínuo que os farão crescer e apropriarem-se dos letramentos necessários para que, ao fazerem mais, tornem-se mais. Esperamos que essa prática de leitura e escrita oportunizada pelo material didático organizado por mim e minha parceira de trabalho, Rossana Arcoverde, que sugere uma proposta de mostrar caminhos de como utilizar a linguagem, de forma prática e usual, por intermédio dos gêneros textuais, possa ser o suporte para realização de novas significações, relações e conhecimento. Só assim, tranformaremos esses alunos em atores sociais, que ao fazerem uso da linguagem como objeto social e ideológico, jamais sejam os mesmos.
Os gêneros propostos, a partir de bilhetes, cartas, notícias, poemas, depoimentos, resumos, resenhas, memorial farão com que esses universitários sejam protagonistas de suas histórias, criando seus enunciados, expressando suas emoções, narrando fatos e acontecimentos sócio-históricos que emergem dos registros de suas vivências e da cosmovisão que terão do mundo. Seus conhecimentos prévios, somados aos conhecimentos adquiridos, os oportunizarão a produzir novos saberes, compartilhando significados e dando sentido aos seus enunciados. É o que desejamos a essa demanda que procurou, mesmo a distância, novas formas de letramento.
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Resposta a um recadinho
Hoje, li um recadinho de meu primeiro neto, Edjarde. Suas palavras de carinho e adjetivadas pela força da linguagem afetiva, me deixaram feliz, muito feliz mesmo. A herança que posso deixar para meus descendentes é esse exemplo de luta aguerrida para conquistar os objetivos que traço na vida. Nem todos conquistados, mas sempre buscados dentro dos limites de minhas circunstâncias. Quando normalista, "vestida de azul e branco, trazendo um sorriso franco", literalmente, lembro-me de uma frase que um dos meus professores citava de um certo filósofo: " A vida só é digna de ser vivida, quando se tem um ideal a colimar!". Nunca a esqueci. É isso mesmo! Por isto, continuo buscando realizações em tudo que faço e traçando objetivos sempre. "Navegar é preciso..." E como já estou mais pra lá do que pra cá, acho que só devo fazer, hoje, aquilo que me dá prazer. Este é um deles. Escrever o que sinto, revelar minhas emoções, registrar "retalhos de vida...". Pois,bem! Tenho certeza de que, muitos dos escritos aqui não interessam a determindos leitores, que também sei serem poucos, mas muito queridos leitores, que me lisonjeiam ao ler meus textos. Mas, ao pôr em prática esta atividade, é como se voltasse ao tempo em que adolescente, cultivava o prazer de escrever em um diário tudo que àquela época, achávamos importante. Alguém poderá dizer: " Quanto tempo, hein?". Não importa o tempo cronológico, quando temos espelhadas em nossa mente lembranças boas e agradáveis que nos fazem reviver tempos de outrora. Saudosismo, não! Reconhecimento de um tempo em que vivíamos a simplicidade das coisas, "curtíamos " a orquestra a tocar no coreto, dançávamos boleros de rostinho colado, ficávamos rubras com um simples aperto de mão... Isso não desvaloriza tudo de bom que acontece na contemporaneidade... "Cada coisa no seu tempo". Meus netos que o digam! Mas essas lembranças são daquelas que o tempo não apaga e que nos causa prazer recordar... Fui longe... Não importa. Este texto poderá até ter fugido aos padrões da textualidade, porém foi espontâneo e seu objetivo maior foi registrar que me orgulho de ser paradigma para filhos e netos que acreditam em mim e são o incentivo maior nessa caminhada, que espero, ainda possa ter muitos quilômetros a percorrer. Valeu, neto querido! Você também me orgulha muito, muito mesmo.
sábado, 10 de maio de 2008
Mãe
Palavra doce. Sabor de mel. Felizes os que desfrutam desse nectar dos deuses. Há 25 anos, exatamente, provei o amargor da perda desse ser que até os poetas dizem não haver rima. Era uma mãe especial e Deus escolheu exatamente o dia das mães naquele ano, para levá-la para perto Dele. E sabe por quê? Porque, como registrou magistralmente Djalma, seu adorado filho caçula:
"Sempre acreditei que Deus escolheu um grande dia, ao levá-la para junto de Si naquele 8 de maio de 1983, justamente no Dia das Mães.
Dois eventos históricos, ocorridos no dia oito de maio corroboram com este fato:
1753 – Nascimento de Miguel Hidalgo y Costilla, independentista mexicano, considerado o pai da pátria mexicana.
1945 - Fim da 2ª Guerra Mundial na Europa; o exército alemão rende-se; por isto também é chamado de Dia da Vitória.
O primeiro pareceu-me justificar a razão pela qual escolheu o nome para seu filho Antônio Hidalgo, que poderia ter sido também Miguel, tal a sua grandeza.
O segundo, por sua transcendência, representou a paz para as nações do mundo inteiro. A paz tão bem incorporada por mamãe na sua índole pacífica e acentuada nobreza, não obstante seu inflexível caráter."
Ah! Mãe amada! Quanta falta fazes! Recordar-te é trazer-te para perto de nós. Por isto, estás sempre perto... Cotidianamente, estou citando-a. Seja nos exemplos dos adágios populares, sempre bem contextualizados para cada caso particular, seja nos enunciados ricos, que tua riqueza cultural, paradoxalmente, contrastava com tua humildade e simplicidade de vida...
Certa vez, escrevi que o sinal de teu rosto não era um sinal físico. Era um signo maior que podia ser lido além da dor. Foste tu mãe, mestra do amor e da vida, que nos ensinaste as mais belas lições! Lições de caráter, de honestidade, de amor ao próximo, de ternura, de carinho, de respeito ao outro, mas acima de tudo, do olhar diferenciado para os humildes e necessitados. Os aquinhoados por riquezas materiais, dizias tu, a vida já os premiou... É verdade, mãe querida. Amar a quem é "certinho demais", a quem não tem defeitos é muito fácil. Prestar favores àqueles que poderiam até passar sem eles não é difícil. O esforço é maior quando servimos aos que têm carência de tudo. Tantas foram as lições, que impossível seria listá-las aqui. Mas, impossível também, seria esquecer o teu dinamismo e garra como educadora, em uma época de poucos recursos didáticos, em uma pequena cidade do interior da Paraíba. Teus feitos "heróicos" chamavam a atenção, até da mais alta autoridade da Paraíba, quando registrou esse teu "saber fazer" em documento enviado a ti, parabenizando-te pelo trabalho excelente que desenvolvias naquela época, no município de Mamanguape. Nova Floresta e Cuité também te foram agradecidos, homenageando-te com duas escolas que ostentam teu nome, fazendo jus a toda uma vida de dedicação à educação e à cultura daqueles municípios.
É mãe! Quanta saudade! Quantas mudanças! Éramos seis! Hoje, somos, apenas, três... Quantas lembranças... Três filhos que pranteiam a tua partida. Que sentem forte no peito o pulsar de um coração que anseia pelos teus beijos, que se ressente da falta daquele abraço gostoso, do teu sorriso franco, entremeado pelas lágrimas que, não sei definir, conseguiam num misto de ternura e afeto, confundir-se com o riso. Choravas e rias ao mesmo tempo. Era uma marca registrada que representava autenticamente a grandeza das tuas emoções.
É mãe! O tempo passou. Porém, o nosso amor não arrefeceu. Continua forte e maior, porque maior que tudo isso foi o teu exemplo. De mulher corajosa, inteligente e criativa, na limitação do seu tempo. É isso aí, Julieta. Tu apenas mudaste de espaço. Continuas muito viva em nossos corações. E não tenho dúvidas, de incluir o "nós", pois tenho certeza, de que todos que conviveram contigo, principalmente, filhos e netos, guardam os mesmos sentimentos externados aqui. Serás sempre a querida mamãe, a sempre vó e a amada Etinha (dos irmãos e sobrinhos).
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Diálogo e relação com os saberes
Tarde de sábado. No Restaurante “Aconchego”, literalmente, em Sousa, brindávamos o término de uma disciplina, em Curso de Especialização. Não bastasse o calor do clima da cidade, aquecia-nos muito mais o calor humano daqueles alunos. Os depoimentos sobre a metodologia pertinente e as estratégias variadas eram ressaltados. Falavam entusiasmados sobre a produção dos artigos, que, de início, causou um certo frisson, mas que para eles, foi uma grande oportunidade de praticarem o processo da autoria. Expressavam contentes a experiência de vivenciarem a defesa de seus posicionamentos, em relação aos temas escolhidos, e ainda, o valor das trocas enunciativas ocasionadas pelo ecletismo temático em cada artigo apresentado.
Tudo isto me trouxe à mente a contribuição fantástica do trabalho publicado por Règine Delamotte-Legrand (2002), que explana tão bem sobre a profissão de professor e a relação com os saberes. No dizer dessa autora, o saber erudito, cientificamente legitimado, deve estar em sintonia com o “saber-fazer” e o “saber-ser”, fundamentos indispensáveis e constitutivos na dimensão da prática pedagógica. A autora vai mais além, ao definir a transposição didática e as condições de transformação das relações que o aprendiz mantém com os saberes. Nessa perspectiva, “a ênfase recai, então, sobre a dimensão social dos saberes, sobre a coexistência, dentro da instituição escolar, de culturas diferentes, de curiosidades e expectativas diversas e seus efeitos linguageiros nas interações em sala de aula” (Op. cit., p. 130). Seguindo a ótica da linguagem como trabalho, a pesquisadora apresenta conceitos e reflexões que suscitam essa área, mostrando que os “saberes científicos” não são os únicos saberes de referência para os “saberes ensinados”. Ratifica que existem “saberes especializados” de todas as naturezas e “saberes sociais” ligados às práticas sociais. É o conjunto dessas práticas que pode ser fonte de legitimação dos conteúdos a ensinar, cujo ponto de partida é mais procedural do que declarativo, ou seja, que os discursos científicos, especializados ou técnicos sejam reformulados em discursos didáticos.
Chegamos à conclusão de que esses direcionamentos são eficazes e de que vale a pena pô-los em prática.
Fonte: DELAMOTTE-LEGRAND, R. A profissão professor: relações com os saberes, diálogo e colocação em palavras. In: SOUZA-e-SILVA, M.C.P e FAïTA, D. (Orgs.). Linguagem e Trabalho. Construção de objetos de análise no Brasil e na França. Tradução de Inês Polegatto Décio Rocha. São Paulo: Cortez, 2002.
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Meu pequeno jardim...
É muito bom manter um diálogo diário com esses “companheiros” que fazem parte do meu cotidiano.
Campina Grande, 13.04.2008
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Às Marias!
Trazer à tona os laços que me ligam à Universidade Estadual da Paraíba e à minha ascensão como mulher me fazem viajar no espaço da imaginação, evocando lembranças que espelham a minha inserção no mundo acadêmico. Em ordem crescente situo essa trajetória: aluna, monitora, professora substituta e professora efetiva por meio de concurso público, galgando um primeiro lugar. Não foi fácil esse percurso. Os contratos sociais, estabelecidos pelo discurso do poder, do líder, do homem, dificultavam a ascendência da mulher nos contextos social, político e outros. Contudo, o meu eu lírico gritava dentro de mim: “Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo”. Assim, ultrapassei entraves. Rompi tabus. Confiei no amanhã.
Graças a tantos outros com os quais me somo, na medida em que me divido, e à minha persistência, redesenhei caminhos, trilhei veredas e escrevi a minha história, cujo registro o tempo jamais há de apagar. Com familiares e amigos me fortaleci como mulher. Na UEPB, me firmei como docente. Exerci cargos administrativos, tais como: Coordenadora de Curso, Chefe de Departamento, Pró-reitora adjunta, membro dos conselhos superiores (CONSEPE e CONSUNI), revisora lingüística da Editora Universitária, membro de comissões de concursos e outros.
Sinto-me lisonjeada ao ser convidada para dar esse depoimento e muito à vontade para dizer que, se da UEPB muito recebo, também contribuo para o crescimento desta instituição, produzindo cientificamente e desenvolvendo as funções que me atribuem, com responsabilidade e compromisso.
Orgulho-me de fazer parte desse todo que se tornou gigante por ser uma universidade que pensa dialogicamente em busca de ações coletivas e porque plurais tendem ao acerto. Uma instituição que tem à frente uma grande mulher como Reitora e que acredita num porvir de realizações.
No dia internacional da mulher, tenho a certeza de que, a exemplo de muitas Marias, “nasci ninguém, deram-me um nome, uma inquietação e uma sede de justiça que viajam comigo...”. A exemplo de muitas Marias, carrego dentro de mim a fé, a garra, a coragem e a força de ser mulher.
Campina Grande, 07.03.2007
Mensagem - Fundação Artístico Cultural Manuel Bandeira
Chegamos ao término de mais um ano. Dificuldades vencidas, barreiras ultrapassadas, trabalhos divididos, projetos concluídos, alegrias somadas, esperança sempre... Para quem acredita em si mesmo, acredita em seus pares e crê na divindade, nada é impossível...
Foi muito bom contar com o esforço pessoal de cada um para lograrmos todos juntos as nossas vitórias. Podem parecer pequenas, mas conseguimos agigantar-nos na conquista de nos mantermos firmes ligados na corrente que parecendo frágil, tornou-se forte, pois seus elos ampliaram a soma das realizações, a cada ação implementada.
Somos gratos a todos... Se Jesus em uma manjedoura encontrou a porta de entrada para convidar os corações e cantar as glórias do Pai, ensinando o inconfundível poema do amor que liberta e felicita, agradecemos a Ele, por este momento e O louvamos por um Natal que se prenuncia e um Ano Novo que se vislumbra! Desejamos a todos graças, muitas graças e que possamos sempre juntos entoar o canto da paz!
Feliz Natal para todos dos que fazem a FACMA.
Dezembro/2007
Discurso proferido: Inauguração do Fórum de Cuité - Ondina Lima
Exmo Sr. Prefeito Municipal Dr. Antonio Medeiros
Exmo Sr. Desembargador Antonio de Pádua de Lima Montenegro
Exmo. Sr. Juiz de Direito da Comarca de Cuité.
Caros familiares
Meus senhores e senhoras
Trago em mim, neste instante, um grande desejo. O de poder externar em palavras todos os sentimentos mais puros e sinceros para ser fiel à tarefa que me foi incumbida. Agradecer em nome da família Fonseca Lima a homenagem concedida à querida Ondina.
E lembrá-la é compor uma melodia, é cantar uma canção num misto de amor e saudade. Ondina, como disse Cecília Meireles, foi “pastora de nuvens” numa trajetória de vida dedicada à família, ao trabalho e à justiça.
Havendo herdado do meu avô, Benedito Lima, os dons para ser serventuária da justiça, seu exemplo de vida é tributo do qual nos orgulhamos. Os que a conheceram são testemunhas de suas ações, à frente do Cartório do Registro Civil de Cuité, também Cartório Eleitoral, atendendo a todos com as lhaneza e amabilidade que lhe eram peculiares. Alguns, porém, a visitavam no Cartório para usufruir de sua amizade e partilhar de seus conhecimentos, exemplo de Benedito Venâncio, Maria Augusta, Dedé Fonseca, Dr. Diomedes e tantos outros “companheiros de caminhada das nuvens que no chão não pousam".
Lembro-me de quando comentava sorridente da presença dedicada de Zé de Luzia, que ao vê-la, às vezes, preocupada com determinadas tarefas, recomendava-lhe: “D. Ondina, cumpra a lei e conte comigo”.
Quantos casamentos, quantos registros de nascimento e óbitos, quantos títulos eleitorais passaram por suas mãos! São histórias de vida que o tempo não apaga e que tiveram a escrivã Maria Ondina de Lima como partícipe desses enredos e seu Cartório palco para a representação dessas “epopéias”, de cujas tessituras ela também foi personagem.
Quantos juízes, como o Dr. Rivaldo Fonseca, Dr. Guimarães, Dr. Onildo e outros conviveram, privaram de sua confiança e elogiaram o seu "modus vivendi" e a sua conduta ilibada.
À Noêmia, sua amiga mais fiel, confiou os destinos do Cartório, “santuário vivo” de sua caminhada de labor, ao aposentar-se e ir morar em João Pessoa, onde colaborou por bastante tempo na Secretaria de Finanças do Governo do Estado, levada pelas mãos do querido sobrinho José Itamar.
Para a família, teve nos olhos ternuras que a palavra emudece quando as quer contar... não lhe faltavam, também, serenidade e firmeza nos aconselhamentos e decisões, quando necessário. Orgulhava-se e vibrava com veemência com o sucesso de todos, indistintamente, e com toda a certeza, aonde estiver, se lhe for permitido, estará muito feliz, hoje, por seu sobrinho Antonio de Pádua Lima Montenegro haver galgado o cargo mais importante da Magistratura do Serviço Eleitoral do Estado da Paraíba, o que também nos envaidece.
Resta-nos agora agradecer, pois acreditamos que saber agradecer dignifica a pessoa humana e engrandece a ação dos idealizadores dessa honraria.
Salmodiar a Deus, porque...
“O Senhor conhece os dias dos retos e a sua herança permanecerá para sempre” (Salmo 37:18).
Agradecer à Magna Corte pela aprovação do nome de Maria Ondina de Lima para personalizar tão importante órgão da justiça.
Agradecer à Prefeitura Municipal na pessoa do Sr. Prefeito Municipal Dr. Antonio Medeiros e toda a sua assessoria pela acolhida que nos deu, com a mesma extensão e força de seus gestos.
Agradecer, finalmente, aos familiares e conterrâneos, que comungam conosco deste momento de alegria e emoção.
Muito obrigada.
Cuité, 25.01.05
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Uma trajetória de múltiplas vozes
A história da UEPB confunde-se com o sentido da palavra "construir", literalmente, e com outros significados do termo que se adequam ao contexto histórico-cultural que permeia essa instituição. Em sua longa trajetória, a UEPB enveredou por caminhos arenosos, superou crises e granjeou vitórias. Entre percalços e conquistas, muitos foram os avanços e inegável o despojamento de tantos que colaboraram e se empenharam nessa construção.
À sua criação, estadualização, reconhecimento, reforma acadêmica e tantos outros projetos, somam-se hoje a concretização de seu Campus, instalado em cenário bucólico, que se coaduna com os avanços de várias ações, fruto de ressignificações possibilitadas pelas trocas enunciativas. Dessa forma, através do fenômeno social da interação, a diversidade de saberes e os pontos de vista divergentes, (seja nos conselhos superiores - CONSUNI e CONSEPE, seja nos organismos sindicais, seja em encontros ou debates), promovem na instituição um intercruzamento de vozes, nem sempre harmônicas, mas que procuram estabelecer uma Universidade diferente porque se faz grande! Grande, não apenas em sua dimensão espacial. Grande por tornar-se, acima de tudo uma Universidade que pensa. Pensa dialogicamente a caminho de ações coletivas e porque plurais tendem a acertar.
É essa diversidade de vozes que instaura a instância geral da enunciação institucional que assume a responsabilidade do dizer e do fazer. A polifonia coexistente, através da heterogeneidade discursiva dos que fazem a UEPB, constrói, de verdade, uma nova Universidade que busca sua coerência pragmática.
Orgulhamo-nos de fazer parte desse todo que "abre os braços à sociedade que a mantém". Necessário se faz, portanto, que continuemos dando nosso contributo na edificação dessa entidade, que se firma a cada dia, em sua tríplice função de ensino, pesquisa e extensão. Assim, como afirma Raduan Nassar, "a justa medida do tempo dará a justa agudeza das coisas".
Campina Grande, 09.06.2002
Discurso de resistência
A FACMA foi cenário de algumas experiências vivenciadas em minha vida profissional e não são poucos os laços que me unem a essa entidade. Elos afetivos, intelectuais, profissionais e culturais formam a corrente que me "amarram" a ela e aos que constituem o seu corpo diretivo. Razão por que sou testemunha de sua trajetória penosa para se manter diante das intempéries que tem atravessado.
No entanto, não quero falar aqui do discurso da falência e da inanição por falta de oxigênio monetário dos que fazem o poder público. Prefiro retomar o discurso da memória, que me traz boas lembranças, e o de resistência que faz com que a FACMA continue de pé, reagindo e resistindo... Lembro-me, pois, da FACMA nos idos de 1986, louvando Manuel Bandeira por ocasião do seu centenário. Vivenciei com outros colegas na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, uma das mais gratificantes experiências, como presidente em exercício da FACMA àquela época. Tive a oportunidade de falar naquela egrégia casa dirigida por Austregésilo de Athaíde e vibrar com os aplausos dirigidos ao nosso canto coral que se apresentava naquela ocasião.
Vale a pena, também, relembrar os projetos e planos de ação dos Núcleos que consolidam a tessitura dos matizes operacionais da FACMA, iniciados na década de noventa. E não são poucos... Só para citar alguns, vislumbro a eficiência do "Memórias de Campina", o brilhantismo do "FACMA dança na rua", a eficácia do "Missão e Cidadania", o fazer gostoso do "Cadeira de balanço", entre tantos, que não me arrisco a nomear sem o exercício da pesquisa.
Éjusto, portanto, que ao comemorarmos os trinta anos da FACMA, somemos esforços, multipliquemos ações, diminuamos problemas e dividamos tarefas, colaborando fraternalmente com a instituição cultural pioneira de Campina Grande. Dessa forma, estaremos cultuando o discurso da memória, insistindo no discurso da resistência e firmando, prioritariamente, o discurso do porvir: Que sejamos todos, enfim, professores, políticos, artistas, poetas e intelectuais, a busca do que será.
Texto publicado no Jornal da Paraíba
Campina Grande, 31.05.2000.
Aula da saudade!
Vários são os conceitos de saudade... No dicionário, saudades é uma lembrança triste e suave de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las... Para os poetas a "saudade" é traduzida de maneira nostálgica, com linguagem figurada e até de forma suave e doce. Saudade é vontade de ver de novo... Nesse sentido, sentimo-nos alegres por termos sido escolhida para ministrar a aula da saudade. E o que dizer a vocês neste momento, se são vocês próprios os grandes mestres, hoje, pois com luta e garra superaram obstáculos e galgaram êxito nessa caminhada?
Procuro imagem, comparações, palavras vindas do coração como água brotando da rocha para parabenizar vocês que provaram que ter ou não ter, ser ou não ser depende de cada um de nós. E para tanto, voaram alto, cataram estrelas no céu fazendo da esperança uma âncora para realização de seus objetivos.
Mas, como diz o poeta "onde um caminho termina, o outro talvez nem começou. A via permanece aberta e inesgotável a todas as experiências. ao outro não se pergunta aonde vais, mas tão somente aonde queres ir". Pessoa alguma logra vencer, se não aceita desafios para aquisição de valores imperecíveis que dão sentido à nossa existência.
E a educação é um desses valores que vista em seu vôo mais livre é uma fração da experiência endoculturativa. Nesse sentido, temos certeza de que vocês não pararão por aqui. Irão continuar a caminhada e daqui a mais três anos estaremos comemorando o término do curso superior, pois como disse Paulo Freire "A melhor maneira que a gente tem de fazer possível amanhã alguma coisa, que não é possível ser feita hoje, é fazer hoje aquilo que hoje pode ser feito". Isto significa que é possível a realização dos nossos sonhos, pois "Tudo podemos n'Aquele que nos fortalece".
Sejam felizes e tenham como lema o dever de ensinar aprendendo, perseverando no ideal, sem se considerarem donos da verdade, pois nossa tarefa é ampliar horizontes se olhar para trás, nem esperar recompensas.
E finalizando, convido vocês para refletirem sobre este texto como mensagem final.
Devagar e sempre
Na vida, as coisas às vezes andam muito devagar.
Mas é importante não parar. Mesmo um pequeno avanço
na direção certa já é um progresso, e qualquer um pode
fazer um pequeno progresso.Se você não conseguir fazer alguma coisa grandiosa hoje,
faça alguma coisa pequena. Pequenos riachos acabam convertendo-se
em grandes rios. Continue andando e fazendo. O que parecia fora de alcance esta amanhã vai parecer um pouco mais próximo ao anoitecer, se você continuar movendo-se para frente. A cada momento intenso e apaixonado que você dedica o seu objetivo, um pouquinho mais você se aproxima dele.Se você pára completamente, é muito mais difícil.
Começar tudo de novo. Então continue andando e fazendo. Não desperdice a base que você construiu. Existe alguma coisa que você pode fazer agora mesmo.
Hoje neste exato momento. Pode não ser muito mas vai mantê-lo no jogo.Vá rápido quando puder.
Vá devagar quando for obrigado.
Mas, seja lá o que for, continue.
O importante é não parar.Ralph Marston
Conclusão do PROFORMAÇÃO - Queimadas
Campina Grande, dezembro/2000
