Campina Grande como sempre tem sido palco de grandes eventos educacionais, turísticos, culturais, artísticos e, nos últimos anos, o mês de junho tem propiciado a efetivação desses eventos, conjugando lazer com a valorização da cultura local e a produção de conhecimento científico. Foi nesse cenário que aconteceu o I Colóquio Brasileiro Educação na Sociedade Contemporânea - COBESC, promovido pela Unidade Acadêmica de Educação da UFCG, em parceria com a Pós-Graduação em Educação da UFRN.
Participei desse evento em um GT que tematizava sobre "Novas tecnologias na prática pedagógica", coordenado pelas professoras Rossana Arcoverde (UFCG) e Ana Beatriz (UEPB). Foi interessante percebermos, por meio dos trabalhos apresentados, (alguns deles de professores e alunos da UEPB), a importância dessa temática e as transformações na prática pedagógica dos professores que se utililizam desses recursos. As explanações feitas, com muita propriedade pelos apresentadores, demonstraram o interesse daqueles participantes em elucidar os questionamentos feitos e socializarem os resultados obtidos.
Em todos os trabalhos apresentados ficou clara a necessidade da formação docente nessa área, tendo em vista a importância e as oportunidades que são proporcionadas ao contexto educacional, levando-se em consideração que caminhamos para a efetivação de uma sociedade digital. O uso dessas tecnologias, além de diversificar e inovar a atuação dos educadores, "fortalece as interações sociais e a autonomia do aluno", como afirmou a Profa. Rossana em uma de suas verbalizações. Constatamos, também, por meio dos resultados de algumas pesquisas, que ainda é tímida a participação e o uso dessas tecnologias em sala de aula. É muito nítido para nós que a "tecnofobia", apontada como uma das causas de uma prática não efetiva desses recursos, seja o fator principal para o "mantenha distância", como se essas tecnologias representassem um perigo ao professor. É necessário que enfatizemos, mais uma vez, que a formação do professor em tecnologias digitais é fator preponderante como potencializador para uma prática de "letramento digital", não apenas dele, mas também de seus alunos, como política de inclusão digital. Sabemos que os alunos , mesmo que não tenham computadores em casa, são usuários dessa ferramenta, constatado pela observância do fenômeno "Lan House". Não se admite, pois, que o professor esteja excluído desse recurso de expansão das relações interpessoais, que oportuniza a interação entre seus pares, e principalmente, com seus alunos.
É preciso, portanto, que fortaleçamos esses usos, formando comunidades virtuais, que façam da Internet, não apenas o suporte físico que nos interconecta, mas que permita uma nova organização social inscrita na vida digital.
quarta-feira, 18 de junho de 2008
GT - Novas tecnologias na prática pedagógica
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Educação a Distância
Hoje, fiz contatos com meus alunos de EaD, da disciplina Leitura e Elaboração de Textos. Ao interagir com eles no fórum de discussão, fiquei mais uma vez entusiasmada com as perspectivas que o ensino a distância proporciona a esses alunos. Verifiquei também que muitos deles ainda são limitados no uso da informática. No entanto, é necessário que se registre a oportunidade de inclusão social que essa modalidade de ensino proporciona a esses alunos, pois apesar das dificuldades, estão resgatando sua auto-estima, tanto por estarem fazendo um curso de nível superior, quanto pelo letramento digital que experimentam por força das circunstâncias. Alguns deles, em depoimentos escritos na avaliação presencial, afirmam do prazer de ter voltado a estudar e poder realizar um sonho acalentado há tanto tempo. Outros, por circunstâncias de localização geográfica, trabalho ou outros motivos, dizem da alegria de serem universitários e de vislumbrarem um futuro promissor.
A disciplina que acompanho, como elaboradora do material didático e professora formadora, é específica da área de Lingüística Aplicada, e por isso, exige que o aluno leia e escreva bastante, o que faz com que muitos deles demonstrem algumas limitações próprias de um ensino de língua inadequado, marcado por uma prática ineficiente, mostrando que a escola enquanto principal agência de letramento não cumpriu bem sua função. São estes alunos, mais do que outros, que precisam de nossa atenção, que fazem com que estabeleçamos interlocuções mais freqüentes e que os incentivemos a escrever, tendo em vista que será esse fazer contínuo que os farão crescer e apropriarem-se dos letramentos necessários para que, ao fazerem mais, tornem-se mais. Esperamos que essa prática de leitura e escrita oportunizada pelo material didático organizado por mim e minha parceira de trabalho, Rossana Arcoverde, que sugere uma proposta de mostrar caminhos de como utilizar a linguagem, de forma prática e usual, por intermédio dos gêneros textuais, possa ser o suporte para realização de novas significações, relações e conhecimento. Só assim, tranformaremos esses alunos em atores sociais, que ao fazerem uso da linguagem como objeto social e ideológico, jamais sejam os mesmos.
Os gêneros propostos, a partir de bilhetes, cartas, notícias, poemas, depoimentos, resumos, resenhas, memorial farão com que esses universitários sejam protagonistas de suas histórias, criando seus enunciados, expressando suas emoções, narrando fatos e acontecimentos sócio-históricos que emergem dos registros de suas vivências e da cosmovisão que terão do mundo. Seus conhecimentos prévios, somados aos conhecimentos adquiridos, os oportunizarão a produzir novos saberes, compartilhando significados e dando sentido aos seus enunciados. É o que desejamos a essa demanda que procurou, mesmo a distância, novas formas de letramento.
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Resposta a um recadinho
Hoje, li um recadinho de meu primeiro neto, Edjarde. Suas palavras de carinho e adjetivadas pela força da linguagem afetiva, me deixaram feliz, muito feliz mesmo. A herança que posso deixar para meus descendentes é esse exemplo de luta aguerrida para conquistar os objetivos que traço na vida. Nem todos conquistados, mas sempre buscados dentro dos limites de minhas circunstâncias. Quando normalista, "vestida de azul e branco, trazendo um sorriso franco", literalmente, lembro-me de uma frase que um dos meus professores citava de um certo filósofo: " A vida só é digna de ser vivida, quando se tem um ideal a colimar!". Nunca a esqueci. É isso mesmo! Por isto, continuo buscando realizações em tudo que faço e traçando objetivos sempre. "Navegar é preciso..." E como já estou mais pra lá do que pra cá, acho que só devo fazer, hoje, aquilo que me dá prazer. Este é um deles. Escrever o que sinto, revelar minhas emoções, registrar "retalhos de vida...". Pois,bem! Tenho certeza de que, muitos dos escritos aqui não interessam a determindos leitores, que também sei serem poucos, mas muito queridos leitores, que me lisonjeiam ao ler meus textos. Mas, ao pôr em prática esta atividade, é como se voltasse ao tempo em que adolescente, cultivava o prazer de escrever em um diário tudo que àquela época, achávamos importante. Alguém poderá dizer: " Quanto tempo, hein?". Não importa o tempo cronológico, quando temos espelhadas em nossa mente lembranças boas e agradáveis que nos fazem reviver tempos de outrora. Saudosismo, não! Reconhecimento de um tempo em que vivíamos a simplicidade das coisas, "curtíamos " a orquestra a tocar no coreto, dançávamos boleros de rostinho colado, ficávamos rubras com um simples aperto de mão... Isso não desvaloriza tudo de bom que acontece na contemporaneidade... "Cada coisa no seu tempo". Meus netos que o digam! Mas essas lembranças são daquelas que o tempo não apaga e que nos causa prazer recordar... Fui longe... Não importa. Este texto poderá até ter fugido aos padrões da textualidade, porém foi espontâneo e seu objetivo maior foi registrar que me orgulho de ser paradigma para filhos e netos que acreditam em mim e são o incentivo maior nessa caminhada, que espero, ainda possa ter muitos quilômetros a percorrer. Valeu, neto querido! Você também me orgulha muito, muito mesmo.
sábado, 10 de maio de 2008
Mãe
Palavra doce. Sabor de mel. Felizes os que desfrutam desse nectar dos deuses. Há 25 anos, exatamente, provei o amargor da perda desse ser que até os poetas dizem não haver rima. Era uma mãe especial e Deus escolheu exatamente o dia das mães naquele ano, para levá-la para perto Dele. E sabe por quê? Porque, como registrou magistralmente Djalma, seu adorado filho caçula:
"Sempre acreditei que Deus escolheu um grande dia, ao levá-la para junto de Si naquele 8 de maio de 1983, justamente no Dia das Mães.
Dois eventos históricos, ocorridos no dia oito de maio corroboram com este fato:
1753 – Nascimento de Miguel Hidalgo y Costilla, independentista mexicano, considerado o pai da pátria mexicana.
1945 - Fim da 2ª Guerra Mundial na Europa; o exército alemão rende-se; por isto também é chamado de Dia da Vitória.
O primeiro pareceu-me justificar a razão pela qual escolheu o nome para seu filho Antônio Hidalgo, que poderia ter sido também Miguel, tal a sua grandeza.
O segundo, por sua transcendência, representou a paz para as nações do mundo inteiro. A paz tão bem incorporada por mamãe na sua índole pacífica e acentuada nobreza, não obstante seu inflexível caráter."
Ah! Mãe amada! Quanta falta fazes! Recordar-te é trazer-te para perto de nós. Por isto, estás sempre perto... Cotidianamente, estou citando-a. Seja nos exemplos dos adágios populares, sempre bem contextualizados para cada caso particular, seja nos enunciados ricos, que tua riqueza cultural, paradoxalmente, contrastava com tua humildade e simplicidade de vida...
Certa vez, escrevi que o sinal de teu rosto não era um sinal físico. Era um signo maior que podia ser lido além da dor. Foste tu mãe, mestra do amor e da vida, que nos ensinaste as mais belas lições! Lições de caráter, de honestidade, de amor ao próximo, de ternura, de carinho, de respeito ao outro, mas acima de tudo, do olhar diferenciado para os humildes e necessitados. Os aquinhoados por riquezas materiais, dizias tu, a vida já os premiou... É verdade, mãe querida. Amar a quem é "certinho demais", a quem não tem defeitos é muito fácil. Prestar favores àqueles que poderiam até passar sem eles não é difícil. O esforço é maior quando servimos aos que têm carência de tudo. Tantas foram as lições, que impossível seria listá-las aqui. Mas, impossível também, seria esquecer o teu dinamismo e garra como educadora, em uma época de poucos recursos didáticos, em uma pequena cidade do interior da Paraíba. Teus feitos "heróicos" chamavam a atenção, até da mais alta autoridade da Paraíba, quando registrou esse teu "saber fazer" em documento enviado a ti, parabenizando-te pelo trabalho excelente que desenvolvias naquela época, no município de Mamanguape. Nova Floresta e Cuité também te foram agradecidos, homenageando-te com duas escolas que ostentam teu nome, fazendo jus a toda uma vida de dedicação à educação e à cultura daqueles municípios.
É mãe! Quanta saudade! Quantas mudanças! Éramos seis! Hoje, somos, apenas, três... Quantas lembranças... Três filhos que pranteiam a tua partida. Que sentem forte no peito o pulsar de um coração que anseia pelos teus beijos, que se ressente da falta daquele abraço gostoso, do teu sorriso franco, entremeado pelas lágrimas que, não sei definir, conseguiam num misto de ternura e afeto, confundir-se com o riso. Choravas e rias ao mesmo tempo. Era uma marca registrada que representava autenticamente a grandeza das tuas emoções.
É mãe! O tempo passou. Porém, o nosso amor não arrefeceu. Continua forte e maior, porque maior que tudo isso foi o teu exemplo. De mulher corajosa, inteligente e criativa, na limitação do seu tempo. É isso aí, Julieta. Tu apenas mudaste de espaço. Continuas muito viva em nossos corações. E não tenho dúvidas, de incluir o "nós", pois tenho certeza, de que todos que conviveram contigo, principalmente, filhos e netos, guardam os mesmos sentimentos externados aqui. Serás sempre a querida mamãe, a sempre vó e a amada Etinha (dos irmãos e sobrinhos).
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Diálogo e relação com os saberes
Tarde de sábado. No Restaurante “Aconchego”, literalmente, em Sousa, brindávamos o término de uma disciplina, em Curso de Especialização. Não bastasse o calor do clima da cidade, aquecia-nos muito mais o calor humano daqueles alunos. Os depoimentos sobre a metodologia pertinente e as estratégias variadas eram ressaltados. Falavam entusiasmados sobre a produção dos artigos, que, de início, causou um certo frisson, mas que para eles, foi uma grande oportunidade de praticarem o processo da autoria. Expressavam contentes a experiência de vivenciarem a defesa de seus posicionamentos, em relação aos temas escolhidos, e ainda, o valor das trocas enunciativas ocasionadas pelo ecletismo temático em cada artigo apresentado.
Tudo isto me trouxe à mente a contribuição fantástica do trabalho publicado por Règine Delamotte-Legrand (2002), que explana tão bem sobre a profissão de professor e a relação com os saberes. No dizer dessa autora, o saber erudito, cientificamente legitimado, deve estar em sintonia com o “saber-fazer” e o “saber-ser”, fundamentos indispensáveis e constitutivos na dimensão da prática pedagógica. A autora vai mais além, ao definir a transposição didática e as condições de transformação das relações que o aprendiz mantém com os saberes. Nessa perspectiva, “a ênfase recai, então, sobre a dimensão social dos saberes, sobre a coexistência, dentro da instituição escolar, de culturas diferentes, de curiosidades e expectativas diversas e seus efeitos linguageiros nas interações em sala de aula” (Op. cit., p. 130). Seguindo a ótica da linguagem como trabalho, a pesquisadora apresenta conceitos e reflexões que suscitam essa área, mostrando que os “saberes científicos” não são os únicos saberes de referência para os “saberes ensinados”. Ratifica que existem “saberes especializados” de todas as naturezas e “saberes sociais” ligados às práticas sociais. É o conjunto dessas práticas que pode ser fonte de legitimação dos conteúdos a ensinar, cujo ponto de partida é mais procedural do que declarativo, ou seja, que os discursos científicos, especializados ou técnicos sejam reformulados em discursos didáticos.
Chegamos à conclusão de que esses direcionamentos são eficazes e de que vale a pena pô-los em prática.
Fonte: DELAMOTTE-LEGRAND, R. A profissão professor: relações com os saberes, diálogo e colocação em palavras. In: SOUZA-e-SILVA, M.C.P e FAïTA, D. (Orgs.). Linguagem e Trabalho. Construção de objetos de análise no Brasil e na França. Tradução de Inês Polegatto Décio Rocha. São Paulo: Cortez, 2002.