segunda-feira, 14 de julho de 2008

Pedaços de mim

Ao abrir meu blog, hoje, verifiquei que há dias não tenho escrito. Muito trabalho e uma "bendita virose" me impediram de realizar uma das coisas de que mais gosto. Compartilhar com meus leitores, por meio dos meus textos, o que me sensibiliza, me emociona ou, simplesmente, o que me enleva ... Pois bem! Relendo um poema de Chico Buarque, meus pensamentos me levaram para bem longe... E não poderia ser diferente! Vejam:

"Oh! pedaço de mim / Oh! metade afastada de mim / Leva o teu olhar / Que a saudade é o pior tormento / É pior do que o esquecimento / É pior do que se entrevar (...)

Oh! pedaço de mim / Oh! metade arrancada de mim / Leva o vulto teu / Que a saudade é o revés de um parto /A saudade é arrumar o quarto / Do filho que já morreu (...)

O poema todo é um derramar de lágrimas por "todos os pedaços" arrancados de mim... Mas, a vida é uma eterna batalha. Se ficamos aqui é porque Deus nos deu a graça de sermos fortes o suficiente para continuar na caminhada. E nesse prosseguir, contentamo-nos com o que a vida nos oferece, com as oportunidades que nos são dadas e pela força de continuar batalhando por algo mais. Viver é um bem sem tamanho, e agradecer é necessário, pois a cada dia somos agraciados por um sol que brilha, por caminhos que se abrem à nossa passagem. Os entraves, os pedregulhos, as barreiras, os espinhos, enfim, tudo que embota a nossa alma, deixamos para trás. Olhar sempre para a frente e para o alto é a melhor receita para galgarmos a vitória. Demos graças a Deus por tudo. Agradeçamos a Ele o dom da vida, e tudo de bom que nos acontece, e o mais, Ele nos concederá. Esse é um exercício diário que tento pôr em prática. " Navegar é preciso."

terça-feira, 24 de junho de 2008

Escrever por prazer!

Escrever é para mim um dos prazeres que curto na vida. Alguém que escreve suas emoções, suas lembranças, seus devaneios presenteia-se a si mesmo. Assim, a cada texto que escrevo, o prazer se renova. Antes, tinha uma grande dificuldade em escrever na tela do computador. Era como se as idéias fugissem de mim... Hoje, o meu processo de letramento digital se expande e, a cada dia, progrido mais. Não lido mais com esse problema. Já escrevo com facilidade. Fica muito claro para mim, que é o uso efetivo da linguagem que faz desenvolver nosso potencial de escrevente, seja qual for o instrumento que utilizemos. Essa prática diária, costumeira é que nos habilita a sermos, cada vez mais, versáteis, constatando-se que escrever é uma atividade como outra qualquer. É preciso, apenas, que desenvolvamos ações concretas para utilizar esse ato. A escolha dos meios adequados para obtenção de nossos objetivos, a intencionalidade sobre o que vamos dizer, e fazer com que nossos interlocutores entendam os nossos propósitos é que é importante. A nossa manifestação verbal , seja qual for o veículo, exige tão somente, que interajamos com nosso destinatário, de forma que nos façamos entender em determinados contextos sociais.
Esse hábito de escrever freqüentemente, deixa-me feliz, realmente. Por isso, o socializo com meus leitores. Que ele seja virótico e que possa contagiar àqueles que acreditam no poder renovador e indispensável da interação verbal

domingo, 22 de junho de 2008

Guardados e achados

Um dia desses, que a gente tem vontade de rever os “guardados”, encontrei em meus “baús” a transcrição de três quadrinhas, que resolvi escrever para que algum dia, se por ventura a memória me falhasse, eu tê-las salvaguardadas. Elas são de autoria de um poeta cuiteense, Osvaldo Venâncio, avô do cantor Gabriel Venâncio. Qual o motivo desse cuidado? Porque trazem consigo histórias, que têm ligações afetivas comigo, inclusive, com o poeta, conterrâneo e parente. Duas delas, relacionadas a dois queridos irmãos, Rivando e Albani. Uma outra, por arte e graça de um amigo de infância e colega professor, Jório Souto. Ei-las, com suas respectivas historinhas.

“Quando a noite se debruça
Nos braços da madrugada
Louco, um boêmio soluça
À porta de sua amada.”

Estavam vários amigos em um bar (tinha que ser), bebericando, tomando umas e outras, como se diz por aqui. O bar tinha uma localização privilegiada, pois era no centro da cidade, em frente da praça, onde, nessa época, havia um belo coreto. Na esquina da rua da praça, era a casa da namorada do meu irmão Rivando. Foi nesse clima, que surgiu o pedido da quadrinha. E os versos surgiram, na euforia da cerveja, sob o olhar apaixonado do namorado e a versatilidade do poeta. Viram que beleza de quadrinha, para atender o pedido de um jovem apaixonado?
Uma outra quadrinha, entre muitas, que não registrei (é pena !), foram feitas na festa de casamento da minha irmã Albani, que casava com Edvalson, um nosso primo que morava em Belo Horizonte. Ao meio da alegria do evento, na companhia de familiares e amigos, o momento do violão e canto era alternado pela criação poética de Osvaldo. E naquela ocasião, comentava-se a competência do noivo, que mesmo à distância, conseguia “fisgar” uma das jovens mais bonitas daquela cidade serrana. De repente, literalmente, Osvaldo sai com essa, com os aplausos de todos:

“ Edvalson jardineiro
Com tuas mãos carinhosas
Leva esta rosa singela
Pra plantar nas Alterosas.”

Não é de se estranhar que o poeta, com sua criatividade e competência, alegrasse tanto aquele evento que representava muito para todos nós, pois em qualquer lugar que ele estivesse, sua verve de poeta enriquecia o ambiente e ampliava a festa. Inclusive, meu pai, João Barreto, como era conhecido, queria muito mais e solicitava que Osvaldo glosasse o mote: “E o destino reuniu Fonseca, Barreto e Lima”, o que foi de pronto atendido. Quem é de Cuité sabe o porquê desse mote.
A terceira quadrinha, também, numa mesa de bar, Osvaldo, como sempre, entre um gole e outro, brindava a todos com seus versos. Em certa hora, Jório o desafia dizendo: “Osvaldo, eu sei que tu és um bom poeta. Mas, eu quero que me proves agora essa tua fama. Quero que faças uns versos, rimando filosofia com tijolo.” Todos caíram na risada. E o poeta, sempre com aquele sorriso franco, versificou:

“É muita hipocrisia
De um professor sem miolo
Quem já viu filosofia
Fazer rima com tijolo?”

A risada foi maior e os aplausos também.
Como vimos, nunca faltavam boas razões para o poeta expandir o seu processo de criação. E assim, a realidade do cotidiano se metamorfoseava, em favor do que Ricoeur chama de “variações imaginativas.”
Campina Grande, 08 de junho de 2008

quarta-feira, 18 de junho de 2008

GT - Novas tecnologias na prática pedagógica

Campina Grande como sempre tem sido palco de grandes eventos educacionais, turísticos, culturais, artísticos e, nos últimos anos, o mês de junho tem propiciado a efetivação desses eventos, conjugando lazer com a valorização da cultura local e a produção de conhecimento científico. Foi nesse cenário que aconteceu o I Colóquio Brasileiro Educação na Sociedade Contemporânea - COBESC, promovido pela Unidade Acadêmica de Educação da UFCG, em parceria com a Pós-Graduação em Educação da UFRN.
Participei desse evento em um GT que tematizava sobre "Novas tecnologias na prática pedagógica", coordenado pelas professoras Rossana Arcoverde (UFCG) e Ana Beatriz (UEPB). Foi interessante percebermos, por meio dos trabalhos apresentados, (alguns deles de professores e alunos da UEPB), a importância dessa temática e as transformações na prática pedagógica dos professores que se utililizam desses recursos. As explanações feitas, com muita propriedade pelos apresentadores, demonstraram o interesse daqueles participantes em elucidar os questionamentos feitos e socializarem os resultados obtidos.
Em todos os trabalhos apresentados ficou clara a necessidade da formação docente nessa área, tendo em vista a importância e as oportunidades que são proporcionadas ao contexto educacional, levando-se em consideração que caminhamos para a efetivação de uma sociedade digital. O uso dessas tecnologias, além de diversificar e inovar a atuação dos educadores, "fortalece as interações sociais e a autonomia do aluno", como afirmou a Profa. Rossana em uma de suas verbalizações. Constatamos, também, por meio dos resultados de algumas pesquisas, que ainda é tímida a participação e o uso dessas tecnologias em sala de aula. É muito nítido para nós que a "tecnofobia", apontada como uma das causas de uma prática não efetiva desses recursos, seja o fator principal para o "mantenha distância", como se essas tecnologias representassem um perigo ao professor. É necessário que enfatizemos, mais uma vez, que a formação do professor em tecnologias digitais é fator preponderante como potencializador para uma prática de "letramento digital", não apenas dele, mas também de seus alunos, como política de inclusão digital. Sabemos que os alunos , mesmo que não tenham computadores em casa, são usuários dessa ferramenta, constatado pela observância do fenômeno "Lan House". Não se admite, pois, que o professor esteja excluído desse recurso de expansão das relações interpessoais, que oportuniza a interação entre seus pares, e principalmente, com seus alunos.
É preciso, portanto, que fortaleçamos esses usos, formando comunidades virtuais, que façam da Internet, não apenas o suporte físico que nos interconecta, mas que permita uma nova organização social inscrita na vida digital.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Educação a Distância

Hoje, fiz contatos com meus alunos de EaD, da disciplina Leitura e Elaboração de Textos. Ao interagir com eles no fórum de discussão, fiquei mais uma vez entusiasmada com as perspectivas que o ensino a distância proporciona a esses alunos. Verifiquei também que muitos deles ainda são limitados no uso da informática. No entanto, é necessário que se registre a oportunidade de inclusão social que essa modalidade de ensino proporciona a esses alunos, pois apesar das dificuldades, estão resgatando sua auto-estima, tanto por estarem fazendo um curso de nível superior, quanto pelo letramento digital que experimentam por força das circunstâncias. Alguns deles, em depoimentos escritos na avaliação presencial, afirmam do prazer de ter voltado a estudar e poder realizar um sonho acalentado há tanto tempo. Outros, por circunstâncias de localização geográfica, trabalho ou outros motivos, dizem da alegria de serem universitários e de vislumbrarem um futuro promissor.
A disciplina que acompanho, como elaboradora do material didático e professora formadora, é específica da área de Lingüística Aplicada, e por isso, exige que o aluno leia e escreva bastante, o que faz com que muitos deles demonstrem algumas limitações próprias de um ensino de língua inadequado, marcado por uma prática ineficiente, mostrando que a escola enquanto principal agência de letramento não cumpriu bem sua função. São estes alunos, mais do que outros, que precisam de nossa atenção, que fazem com que estabeleçamos interlocuções mais freqüentes e que os incentivemos a escrever, tendo em vista que será esse fazer contínuo que os farão crescer e apropriarem-se dos letramentos necessários para que, ao fazerem mais, tornem-se mais. Esperamos que essa prática de leitura e escrita oportunizada pelo material didático organizado por mim e minha parceira de trabalho, Rossana Arcoverde, que sugere uma proposta de mostrar caminhos de como utilizar a linguagem, de forma prática e usual, por intermédio dos gêneros textuais, possa ser o suporte para realização de novas significações, relações e conhecimento. Só assim, tranformaremos esses alunos em atores sociais, que ao fazerem uso da linguagem como objeto social e ideológico, jamais sejam os mesmos.
Os gêneros propostos, a partir de bilhetes, cartas, notícias, poemas, depoimentos, resumos, resenhas, memorial farão com que esses universitários sejam protagonistas de suas histórias, criando seus enunciados, expressando suas emoções, narrando fatos e acontecimentos sócio-históricos que emergem dos registros de suas vivências e da cosmovisão que terão do mundo. Seus conhecimentos prévios, somados aos conhecimentos adquiridos, os oportunizarão a produzir novos saberes, compartilhando significados e dando sentido aos seus enunciados. É o que desejamos a essa demanda que procurou, mesmo a distância, novas formas de letramento.