sábado, 26 de setembro de 2009

À Virgem das Mercês

Em Cuité-PB, no dia 24 de setembro, é venerada a Virgem das Mercês. Os filhos da terrinha amada festejam aquele dia, com muita emoção. Os que moram em outras cidades, quando podem, não deixam de participar das festividades da padroeira.

Este ano, a convite do primo Antônio de Pádua, "subi a serra", como costumamos dizer. Além das solenidades religiosas, Toinho, como carinhosamente o chamamos, agradeceria à Virgem das Mercês graças alcançadas, receberia algumas homenagens (por estar se aposentando do Tribunal de Justiça) e faria a inauguração do novo prédio do Fórum Cuiteense. O Fórum, totalmente reformulado, orgulha os cuiteenses pela imponência daquela arquitetura.

Que festa bonita!!! A começar pela missa solene que celebrada por um padre de Cuité emocionou a todos. Na homilia, o padre fazia uma narrativa da vinda da imagem para Cuité, trazida pelas mãos da família Dantas. Os hinos entusiasmavam aquela comunidade, que diante da imagem de Nossa Srª das Mercês, já belissimamente ornamentada no andor para a procissão, parecia interceder por todos que ali a cultuavam. Os participantes foram também agraciados pela Filarmônica da cidade, que além de orquestrar "velhos dobrados", que nos fez viajar no tempo, encerrou com o Hino " Senhora das Mercês". Não foi possível conter as lágrimas... Quantas recordações...

Ao término da missa, várias homenagens foram prestadas ao filho da terra, Antônio de Pádua, que orgulha Cuité pelos cargos que ocupou e que o dignificou pela lisura, hombridade e competência, marcas significativas de sua gestão, tanto na Presidência do Tribunal Eleitoral, quanto na Presidência do Tribunal de Justiça.

Após a missa, nos dirigimos ao Fórum para a bênção do prédio e inauguração da reforma feita. Naquele universo da justiça, logo que se concluiu a formalidade de inauguração, a alquimia do afeto transformou aquele espaço em lugar mais aprazível ainda para reencontro de familiares, conterrâneos e amigos. Quantos abraços aconchegantes, quantos sorrisos efusivos!!! O discurso da memória foi exaustivamente produzido, estabelecendo-se um cenário colorido de lembranças vivificadas pelo contexto aconchegante e afetivo que se instaurou. Entre as iguarias e guloseimas servidas, as boas prosas e o desejo de que aquele tempo se prolongasse...

"A teus pés, Virgem Mãe das Mercês", agradecemos e louvamos a Deus por tudo!!! Pelo carinho dos familiares, que nos alimenta a alma; pela amizade dos conterrâneos, que perdura em nossos corações; por ter amigos que nos proporcionam prazer com os seus testemunhos de afeto.

sábado, 1 de agosto de 2009

Aprendendo ao longo da vida

Das muitas produções acadêmicas que tenho realizado ou colaborado, uma me gratificou sobremaneira: O Projeto Universidade Aberta para Formação de Pessoas da Terceira Idade.
A Profa. Eliane Moura, Coordenadora da CIPE/UEPB - Coordenadoria Institucional de Programas Especiais - indicou-me para ampliar o Projeto iniciado pelo Prof. Dr. Manoel Freire de Oliveira Neto, do Departamento de Educação Física. Imediatamente, ao ler a minuta do Projeto, esboçada pelo professor, entusiasmei-me com a proposta, mesmo não sendo da minha área específica, pela envergadura de tal ação. Mas, como transitamos na àrea de Linguagens, que vislumbra horizontes outros, leituras múltiplas, recriação de textos e intertextualidades, procurei "dar conta" da tarefa incubida. A minha experiência, também, na elaboração de outros projetos na área educacional me credenciava para tal.

Coincidentemente, havia ganhado um livro intitulado "Dez fatores para uma Educação de Qualidade para todos no Século XXI", de autoria de Cecília Braslavsky (2005) , lançado pela Ed. Moderna. O conteúdo deste livro veio a calhar. A autora chamava a atenção para as surpresas inevitáveis deste século e, entre elas, a possibilidade de um aumento consistente na expectativa de vida das pessoas.Uma das muitas afirmações contidas e, de maior expressividade, era a citação do escritor argentino Marcos Aguinis que asseverava que " não apenas se agregam anos à vida, mas também, se agrega vida aos anos", em razão da medicina e das tecnologias modernas permitirem às pessoas, não apenas, viver mais tempo, mas viver melhor: mais lúcidas, com maior capacidade de leitura, compreensão e criação. Procurei também informações na internet sobre o tema e, dados da tese de doutorado do Prof. Dr. Oliveira Neto, que aponta a inserção das Universidades nesta área, no sentido de integrar pessoas da terceira idade no universo da academia, como forma de inclusão social.

Essa contextualização justifica as razões do texto e o porquê da gratificação de ter colaborado com esse Programa, principalmente, por ter tido a oportunidade de vivenciar a solenidade de abertura do Curso e "degustar" da excelente aula inaugural da professora convidada. Ao ver cinquenta alunos envolvidos e entusiasmados naquela primeira aula, me dava a certeza de que, mesmo nos bastidores, pois a minha atuação não era a de protagonista, havia participado efetivamente da construção daquele projeto, e esse fazer estaria registrado, senão nos anais da História da Universidade, mas nos registros de minha História de vida, como produção acadêmica de real valor para mim, pela relevância do alcance social e do bem proporcionado a tantas pessoas, que estariam "Aprendendo ao longo da vida", slogan que criei para o projeto.

Como corolário deste texto, cito Fernando Pessoa:

" O meu olhar é nítido como um girassol,
Tenho o costume de andar pelas estradas
olhando para a direita e para a esquerda,
de vez em quando para trás...
E o que vejo a cada momento
é que nunca antes eu tinha visto,
e eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
que tem uma criança, se ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento

para a eterna novidade do mundo."

terça-feira, 21 de julho de 2009

Amizade

As verdadeiras amizades são raríssimas. Graças a Deus, tenho excelentes amigos(as) que demonstram de várias formas esse apreço por mim.
Recebi no dia do Amigo várias mensagens. Mas, uma, em particular, me chamou a atenção e elegi-a, para compartilhar com meus leitores amigos que tenham a oportunidade de visitar este blog. Vale a pena transcrever esse texto, pela essência e conteúdo que o compõem. Ei-lo:

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles. A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor. Eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências. A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. É delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não têm noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí. E me envergonho, porque essa minha prece é em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer. Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que não desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos! A gente não faz amigos, reconhece-os.

Que bom, pois, ter amigos e desfrutar das amizades sinceras, desinteressadas e verdadeiramente leais.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Letramentos Digitais


A oportunidade de participar de um Programa de Educação a Distância na UEPB tem me proporcionado um aprendizado ímpar. Esta semana recebi solicitação da UAB/CAPES para preencher, em formulário eletrônico, um cadastro para licitação de compras de livros para nosso Curso de Letras em EaD. De início, achei que seria complicado e que não teria a menor condição de realizar essa tarefa. No entanto, resolvi fazer o teste: Ver para Crer! Fui à luta e para minha surpresa, de posse do "login" e senha, verifiquei que "o bicho não é como se pinta"! Estou no final do trabalho e, sem muitas dificuldades, descubro que o processo de aprendizagem no mundo digital é fantástico! Nosso progresso é fruto da necessidade de acompanhar o imensurável crescimento nessa área e a certeza de que, com determinação e garra, somos capazes de superar barreiras e entraves que outrora pensávamos não superar.

Outra experiência que me gratifica nessa trajetória de letramentos digitais tem sido a atualização do Currículo Lattes. À espera de quem pudesse atualizar, e todos que me ajudam, muito ocupados, resolvi eu mesma tentar. Com orientação de uma "mestra" nessa área, recebi algumas informações e, hoje, estou fazendo essa tarefa que, embora, seja um pouco desgastante, está se tornando agradável, uma vez que estou associando ao prazer de querer e saber fazer.

Isto nos dá a consciência de nossa incompletude, mas ao mesmo tempo, do poder que temos de aprender sempre. A vida é um eterno aprendizado. Como diz o adágio popular "É morrendo e aprendendo" ou como atesta o contra-provérbio: "É vivendo e aprendendo". Confirma-se, assim, o que nos afirmou o grande Paulo Freire sobre o inacabamento do ser humano, em seu livro Pedagogia da Autonomia (2006). Para esse educador,


" O inacabamento do ser ou sua inconclusão é próprio da experiência vital.
Onde há vida há, há inacabamento. Mas, só entre mulheres e homens, o
inacabamento se tornou consciente".
É preciso, pois, que nos revistamos da vontade de crescer, de ser mais, de poder fazer, de querer fazer, enquanto estivermos com as condições vitais que nos permitam produzir e perseguir essa busca incessante por aquilo que nos completa e nos torna felizes.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Saudade

Estes dias frios de junho fazem com que procuremos alento. Não para o frio propriamente dito. Mas para o coração, que combalido pela dor, muitas vezes, precisa aninhar-se, procurando abrigo para a frieza da alma. A saudade, esse bichinho que corrói e machuca fortemente o nosso peito, toma conta de todo nosso interior e nos preenche de um sentimento que não sabemos explicar.
Os poetas, estes sim, sabem dizer o que é saudade.
Bastos Tigre já disse que "Saudade é como se fosse/ espinho cheirando a flor." Já imaginaram que imagem tão bonita? "Gosto amargo de infelizes" foi como a chamou Garret. E a saudade já foi definida como "dor que é remédio /remédio que aumenta a dor..." Esta definição contraditória tenta explicar paradoxalmente o que é saudade! Mas, somente os que a experimentam sentem as sensações dessa palavrinha que diz tanto... Bendita saudade que nos leva pra perto de quem gostamos, pois sentimos presente quem está ausente!
Junho das festas! Junho dos namorados! Junho dos folguedos! E por que não, junho das saudades...