domingo, 28 de março de 2010

Emoções!

Neste ano de 2010 minha mãe, a Professora Julieta Lima, completaria 100 anos de vida. Esta data nos envolve para um contexto que evoca lembranças e muitas saudades. Eu e meus irmãos, Djalma e Albani, resolvemos homenageá-la, organizando um livro, com a colaboração imprescindível de sua neta Rossana, contando alguns fatos relacionados à vida de Julieta. Não é preciso dizer da emoção que nos envolve e das lembranças que nos vêm à mente.

Dessa forma, não podemos separar as duas cidades onde ela viveu e prestou serviços como educadora. Seus feitos, seu envolvimento cultural, suas vivências e seus enredos sociais são todos relembrados com muita nitidez, tendo em vista que as lembranças, como um “flash” em nossas mentes, passam de uma em uma, registrando aquilo ou aqueles que não queremos esquecer e que merecem registros.

E nos vem à mente Nova Floresta e Cuité, como palcos dessa história de vida. Nova Floresta , naquela época, distrito de Cuité, onde ela foi a primeira professora. Onde ela implementou projetos inéditos e onde alfabetizou muitos filhos daquela cidade. Hoje, duas cidades vizinhas, que crescem acompanhando o desenvolvimento de um tempo globalizado.

Mesmo assim, a professora Julieta Lima, enfrentando as dificuldades da época, já vislumbrava um futuro melhor para aqueles que com ela estudavam e já os preparava para um porvir que, certamente, os filhos e netos daqueles alunos iriam desfrutar.

Ao prepararmos esse livro, verificamos quanto era difícil naquele tempo formar um filho, encaminhá-lo para galgar espaços maiores. Só os que detinham um certo poder aquisitivo podiam mandar seus filhos para estudar fora. A não ser os destemidos que enfrentavam todas as dificuldades e os encaminhavam para superar as agruras da vida lá fora e conseguir a duras penas os objetivos traçados. E foram muitos os cuiteenses e também, os florestenses que conseguiram êxito.

Atualmente, os filhos destas cidades desfrutam de um Campus Universitário em Cuité, que abriga não só os filhos da terra, mas também, de toda região circunvizinha, atendendo a todos que querem continuar seus estudos. Fico feliz, ao constatar que o Diretor desse Centro, Ramilton Marinho da Costa, é justamente um neto de Benedito Marinho, parente de mamãe e amigo da família, de quem Julieta Lima recebeu acolhida, quando chegou em Nova Floresta, ficando inclusive hospedada em sua casa.

São inúmeros registros que teremos a oportunidade de fazer, contando também com a colaboração de familiares, amigos e ex-alunos que já se prontificaram a colaborar com esse projeto de resgate histórico, importante para nós, familiares, mas também, para a memória da educação dessas duas cidades.

Orgulha-me, portanto, ser filha de alguém que contribuiu para o fortalecimento educativo-cultural dessas cidades e em cujos espaços plantou a semente do saber.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Três vitórias

Festejar vitórias é sempre muito bom. Louvar a Deus por elas é um dever. "Louvai a Deus por tudo"; "Sede agradecidos", diz o Evangelho. Por isto, neste ano de 2010, tenho muito o que agradecer. Fui premiada com três grandes vitórias: Meu filho Edjarde, que voltou a estudar depois de uma grande pausa, concluiu seu Curso Superior em Administração pela Universidade Federal de Campina Grande; meu primeiro neto, também Edjarde, colou grau em Direito pela Universidade Federal da Paraíba e outro neto, Danilo Arcoverde, (filho do primeiro Edjarde) foi aprovado para o Curso de Engenharia pela Universidade Federal de Campina Grande.

Costumo dizer que a grande herança de uma família é a riqueza do conhecimento, principalmente quando este conhecimento é atestado, comprovado e celebrado por uma Instituição. Não resta dúvida de que esta riqueza jamais será corroída pela traça, o tempo não a destruirá, nem ninguém a usurpará. E se não temos recursos materiais, por meio do conhecimento é possível conseguir atingir metas ou realizar a consecução de objetivos.

Foi com esta perspectiva que voltei também a estudar depois de longos dezessete anos e sempre afirmando que se não deixava como herança para meus filhos bens materiais, eu deixaria como referência e exemplo maior todo o meu sacrifício de voltar a estudar depois de casada e mãe de cinco filhos, enfrentando dificuldades das mais diversas.

Valeu a pena e faria tudo de novo, se preciso fosse. Como se diz popularmente, o exemplo vale mais do que mil palavras. Registro neste espaço estas bênçãos do Senhor sobre minha família.

Obrigada Senhor! Eu te louvo e te glorifico!

domingo, 7 de março de 2010

Dia da mulher

Para nós, mulheres, todos os dias são nossos... Os variados papéis que assumimos na sociedade nos outorga esse direito de sermos homenageadas diariamente. Infelizmente, nem sempre acontece. Muito pelo contrário, algumas mulheres em vez de homenageadas são vítimas de violência dos mais variados tipos. Embora estejamos em pleno século XXI e termos em vigor a Lei Maria da Penha, são anunciados constantemente, casos e evidências de violência contra a mulher. Lamentável que tenhamos de conviver com essa realidade.

No entanto, alegra-nos saber que escritores e poetas exaltam a mulher em suas criações poéticas e textos dos mais variados gêneros. Particularmente, a crônica de Estevam Fernandes, "Simplesmente Mulher" aborda esse tema de maneira magistral, ao enfatizar a solidão de algumas mulheres em suas próprias casas. "O sonho de um lar feliz acabou por transformar-se no espectro de sua própria agonia. Querendo alguém para amar, conheceram a própria solidão."

Na verdade, muitas vezes, as mulheres têm como companhia apenas as suas lembranças, os seus desejos incontidos e as aspirações interrompidas, alimentando-se do passado, do que poderia ter sido e não foi. É como se tivessem algemas dentro de si, feridas em sua dignidade, aprisionadas pelos caprichos de alguém que em seu egoísmo não vê nada, além de si próprio. "Alguém que lhes rouba os sonhos e escraviza a alma e, ainda, lhes impedem de ser feliz."

No entanto, nem sempre as mulheres deixam-se anular. Algumas vão à luta. Resistem ao que muitos dizem ser destino, superando os "grilhões dos limites caseiros." Afirmam-se profissionalmente, conquistam autonomia, tornam-se competitivas e assumem-se como donas de seu querer e do seu fazer. Sentem-se libertas, mas não esquecem jamais de seus deveres de esposa e mãe.

É preciso pois, que olhemos para a mulher com os olhos da compreensão, do companheirismo, da afetividade, da igualdade de direitos, deixando-a ser feliz, realizada por conquistar os seus anseios, os seus objetivos e, acima de tudo, mostrando que é capaz de produzir e de contribuir com a construção de uma sociedade melhor.

Portanto,exaltemos a mulher, sempre que possível, e façamos dela o símbolo do amor. Mulher amada é mulher feliz!

sexta-feira, 5 de março de 2010

O uso de "Podcasts"

A Revista Nova Escola apresentou uma reportagem intitulada "Casamento Proveitoso". O título, como sempre, se sugestivo, é um convite à leitura. Não me fiz de rogada! Para minha surpresa, o texto abordava um trabalho didático peadagógico com a utilização de "podcasts", a respeito das marcas de oralidade em obras de Ariano Suassuna.

A ideia de usar "podcasts" como ferramenta para desenvolver a oralidade surgiu durante uma reunião pedagógica, com alunos do 9º ano, do Colégio Pedro II, na capital fluminense, como uma boa forma de usar a tecnologia para "ensinar" gêneros orais.

O objetivo do Prof. Jorge Luiz Marques de Moraes era fazer com que os alunos percebessem as diferenças entre a oralidade e o texto escrito. Assim, em parceria com os professores de Informática, desenvolveu o projeto, inserindo os alunos na utilização dos recursos multimídia disponíveis na escola, mas ainda, pouco explorados.

Para nosso entendimento, o texto ressaltava que, o "podcast" é uma abreviação da palavra "podcasting", que é uma brincadeira originária da mistura de "ipod" (marca de um tocador), com "broadcasting"(transmissão de rádio ou TV), que tem, assim como os programas radiofônicos, a função de apresentar e transmitir o conhecimento. Com ele, podem ser trabalhados vários gêneros orais, como conversação, debate, entrevista, entre outros.

Esse trabalho oportunizou aos alunos de Língua Portuguesa sairem daquelas aulas tradicionais de gramatiquice e passarem a transitar da fala para a escrita e da escrita para a fala, o que é fundamental para a aquisição da habilidade linguística.

Dessa forma, os alunos mergulharam nas obras do autor paraibano, conhecendo as marcas do oral (o que é fantástico em Ariano), identificando as características dos gêneros oral e escrito e observando suas diferenças. Mas, para isso, o aluno devia estruturar uma dinâmica ágil, pois o "podcast" leva ao ambiente virtual as práticas do rádio.

Que bom possamos criar formas metológicas diversificadas, a exemplo desse professor, para que nossos alunos leiam e, se possível, os autores paraibanos, cuja produção literária é muitas vezes desconhecida.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Recortes de uma leitura

Do livro "A prática de linguagem em sala de aula" de Roxane Rojo (organizadora), topicalizei algumas ideias que me chamaram a atenção e as socializo com meus leitores. A seleção foi transcrita do texto de Beth Brait "PCNs, gênero e ensino de língua: faces discursivas da textualidade".

Ei-las:

  • O conceito de linguagem e de ensino privilegiados envolvem indivíduo, história, cultura e sociedade, em uma relação dinâmica entre produção, circulação e recepção de texto.
  • A dinamicidade dos conceitos bakhtinianos não se prestam à aplicações mecânicas. Valorizam o corpus e despertam no leitor/ analista/fruidor a capacidade de dialogar, graças às interações textos/leitores.
  • Linguagem é ação interindividual e processo de interlocução que se realiza nas práticas sociais.
  • Os homens interagem pela linguagem em diferentes grupos sociais, nos diversos momentos da história.
  • A linguagem enquanto atividade social e histórica permite a construção de refer~encias culturais.
  • Produzir linguagem significa produzir discursos: dizer alguma coisa a alguém, de uma determinada forma, em um detrminado contexto histórico e em determinadas circunstâncias de interlocução.
  • O discurso, quando produzido, manifesta-se linguisticamente por meio de textos.
  • O signo é um material semiótico-ideológico e a enunciação é um produto da interação social.
  • A atitude diante do conhecimento significa um contato dialógico com o corpus selecionado
  • A cada conceito mobilizado forma-se uma rede com os demais conceitos que dificilmente poderá dela dissociar-se.

Estes recortes nos propiciam uma boa reflexão sobre a linguagem e seus usos.