No escuro da noite nenhuma estrela
A geada as sorveu todas
O céu chora essa ausência doída
Já não pode sorrir...
Onde buscar forças para esse exílio
O que fazer no silêncio dessas noites
Busco encontrar um ombro amigo
Para prantear essa solidão...
Procurar respostas no infinito
É o caminho encontrado
Pois só do Alto pode vir a solução.
Ergo os olhos então com confiança
O meu Deus é fiel
E me enche de esperanças.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
O silêncio das noites
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
A vida
Eu queria ter alma de poeta
Ter as asas dos pássaros pra voar
Andar peregrinando sem destino
Avançando no mar ao navegar...
Quisera ter também a alma de criança
Brincando sempre sem pensar no amanhã
Sorrindo como as flores de um jardim
Procurando braços pra me afagar
No entanto, a vida é uma gangorra
Onde somos convidados a montar
Nesse constante sobe e desce sem parar
E nesta roda viva que é a vida
Caminhamos todos na esperança
De um dia, finalmente, descansar.
domingo, 15 de agosto de 2010
Ciranda da leitura
Com o título " Bibliotecas: Cenário Preocupante", a Revista Educação- julho/2010 publica que até 2020, os municípios e os estados brasileiros precisarão construir 25 bibliotecas por dia no ensino fundamental. O diagnóstico, obtido por um estudo do movimento Todos pela Educação, com base em dados do censo da Educação Básica de 2008, está relacionado com o cumprimento da lei que determina a instalação de bibliotecas em todas as instituições de ensino do país (públicas e privadas), sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no final de maio. A lei estabelece como prazo final para a instalação o ano de 2020.
Como vemos, a preocupação com a formação de leitores na escola é uma constatação. O ensino de Língua Portuguesa, não obstante as grandes mudanças que têm ocorrido, principalmente, no que diz respeito à produção e recepção de textos, não tem efetivado metodologias eficazes para a consecução de comunidades leitoras. Isto expressa, realmente, a necessidade de reflexões maiores sobre essas questões, em especial, sobre a prática de leitura na escola e fora dela.
Neste sentido, iniciativas como essa são louváveis, porém não se formam leitores por meio de decretos. É preciso muito mais! A criação das bibliotecas é o primeiro passo. É uma oportunidade que deve ser aproveitada pelos professores, para efetivação de uma exercício não muito comum em sua práxis. É necessário, porém, que se tornem leitores, deixando de lado a desculpa de que não leem porque não podem comprar livros. Consequentemente, trabalharem estratégias que levem seus alunos a ler, construindo sentidos para suas leituras, tornando-os, assim, leitores proficientes.
Não se concebe um professor que, diante das situações diversas e emergentes de um mundo globalizado, não goste de ler e não passe para seus alunos esse exemplo. Credita-se a leitura como uma forma rica e insubstituível para aqueles que querem atualizar seus conhecimentos. O professor que lê e faz com que seus alunos leiam terá chances de oportunizar grandes transformações na sua metodologia de trabalho, deixando de lado a linguagem do discurso didático, que inibe a voz do aluno, como se o aprendizado fosse exclusivamente para a escola, e não, para a vida.
Cabe também às Universidades que oferecem Cursos de Formação para professores do Ensino Fundamental inserir em suas diretrizes curriculares conteúdos que versem sobre esta temática, propiciando o debate, a reflexão e, sobretudo, a prática leitora, de forma que possamos preencher as incompletudes constatadas em pesquisas nessa área. Só assim, estaremos contribuindo com o desenvolvimento humanístico, social e cultural do indivíduo, no sentido de sua realização como ser pensante e engajado nos diversos contextos em que interage.
Construamos, então, essa ciranda, unindo nossa mãos, pois "nenhuma corrente é mais forte do que seu elo mais fraco."
sexta-feira, 16 de julho de 2010
O frio da alma
Tarde fria na serra! A chuva fina acaricia as plantas que parecem sorrir. Fica gostoso agasalhar-se para dormir. Os cobertores nos fazem afagos e aconchegam o nosso corpo.
Nosso pensamento voa, percorre caminhos, faz atalhos, chega ao país da imaginação. Ficamos a nos perguntar o que seria de nós sem o agasalho do afeto. Sem braços abertos pra nos receber. Sem mãos fortes e generosas que se estendem pra nos proteger. O que seria sem a palavra que ecoa em nosso coração dizendo "conte comigo", "eu estou aqui". Sem o olhar amigo que nos contempla nas horas que mais precisamos.
Com estas reflexões, chegamos a uma conclusão. Como deve ser triste transitar pelos caminhos da solidão! Como deve incomodar andar por territórios impregnados de desumanização. Como deve angustiar seguir veredas, onde procuramos alguém e não encontramos. Enfim, prosseguir na trama da existência e não conseguir respostas para nossos questionamentos, nem ter com quem partilhar nossos sentimentos.
Assim, nessa busca incessante para preencher esses vazios, é preciso mergulhar em nosso interior e procurar guarida para dar asas aos nossos devaneios. E é nessa busca que aprendemos. Tomamos consciência de que somos seres históricos, sociais, dotados de subjetividades. E se somos sociais é o outro que nos completa. Tornamo-nos melhor ampliando as nossas relações. É esse processo de agregação que possibilita ao ser humano o crescimento de seu horizonte de sentido, diz Fábio de Melo.
Nessa perspectiva, precisamos manter boas relações de amizade, de carinho, de afeto, porque "relações humanas são como pontes", cuja travessia precisa ser feita para atenuar distâncias entre nós e o outro.
Precisamos, portanto, aquecer não apenas o frio do corpo, mas o frio da alma, para fortalecer as nossas esperanças e alimentar o nosso espírito. Preservemos, pois, nossa vida afetiva e procuremos desmontar o gelo do desamor, para que não habite em nós a frieza da solidão.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Notícia Quentíssima
Editora lança livros digitais gratuitos
Em meio à hesitação do mercado editorial em relação à novidade dos livros digitais, a Fundação Editora da Unesp (FEU) lançou 44 obras inéditas direto para o formato digitalizado. Os livros abrangem as áreas de ciências humanas, ciências sociais e aplicadas, linguística, letras e artes em geral. Os títulos foram disponibilizados no endereço www.culturaacademica.com.br
É a primeira vez no país que uma universidade brasileira lança um acervo digital com base em sua própria produção científica. O acesso às obras é gratuito. Só no primeiro dia de acesso, os livros foram baixados mais de mil vezes. O projeto prevê que sejam publicados cerca de 600 livros eletrônicos noprazo de uma década, sendo 58 até o final deste ano.
Fonte: Revista Língua Portuguesa. Maio/2010.