Hoje, li um recadinho de meu primeiro neto, Edjarde. Suas palavras de carinho e adjetivadas pela força da linguagem afetiva, me deixaram feliz, muito feliz mesmo. A herança que posso deixar para meus descendentes é esse exemplo de luta aguerrida para conquistar os objetivos que traço na vida. Nem todos conquistados, mas sempre buscados dentro dos limites de minhas circunstâncias. Quando normalista, "vestida de azul e branco, trazendo um sorriso franco", literalmente, lembro-me de uma frase que um dos meus professores citava de um certo filósofo: " A vida só é digna de ser vivida, quando se tem um ideal a colimar!". Nunca a esqueci. É isso mesmo! Por isto, continuo buscando realizações em tudo que faço e traçando objetivos sempre. "Navegar é preciso..." E como já estou mais pra lá do que pra cá, acho que só devo fazer, hoje, aquilo que me dá prazer. Este é um deles. Escrever o que sinto, revelar minhas emoções, registrar "retalhos de vida...". Pois,bem! Tenho certeza de que, muitos dos escritos aqui não interessam a determindos leitores, que também sei serem poucos, mas muito queridos leitores, que me lisonjeiam ao ler meus textos. Mas, ao pôr em prática esta atividade, é como se voltasse ao tempo em que adolescente, cultivava o prazer de escrever em um diário tudo que àquela época, achávamos importante. Alguém poderá dizer: " Quanto tempo, hein?". Não importa o tempo cronológico, quando temos espelhadas em nossa mente lembranças boas e agradáveis que nos fazem reviver tempos de outrora. Saudosismo, não! Reconhecimento de um tempo em que vivíamos a simplicidade das coisas, "curtíamos " a orquestra a tocar no coreto, dançávamos boleros de rostinho colado, ficávamos rubras com um simples aperto de mão... Isso não desvaloriza tudo de bom que acontece na contemporaneidade... "Cada coisa no seu tempo". Meus netos que o digam! Mas essas lembranças são daquelas que o tempo não apaga e que nos causa prazer recordar... Fui longe... Não importa. Este texto poderá até ter fugido aos padrões da textualidade, porém foi espontâneo e seu objetivo maior foi registrar que me orgulho de ser paradigma para filhos e netos que acreditam em mim e são o incentivo maior nessa caminhada, que espero, ainda possa ter muitos quilômetros a percorrer. Valeu, neto querido! Você também me orgulha muito, muito mesmo.
quinta-feira, 22 de maio de 2008
sábado, 10 de maio de 2008
Mãe
Palavra doce. Sabor de mel. Felizes os que desfrutam desse nectar dos deuses. Há 25 anos, exatamente, provei o amargor da perda desse ser que até os poetas dizem não haver rima. Era uma mãe especial e Deus escolheu exatamente o dia das mães naquele ano, para levá-la para perto Dele. E sabe por quê? Porque, como registrou magistralmente Djalma, seu adorado filho caçula:
"Sempre acreditei que Deus escolheu um grande dia, ao levá-la para junto de Si naquele 8 de maio de 1983, justamente no Dia das Mães.
Dois eventos históricos, ocorridos no dia oito de maio corroboram com este fato:
1753 – Nascimento de Miguel Hidalgo y Costilla, independentista mexicano, considerado o pai da pátria mexicana.
1945 - Fim da 2ª Guerra Mundial na Europa; o exército alemão rende-se; por isto também é chamado de Dia da Vitória.
O primeiro pareceu-me justificar a razão pela qual escolheu o nome para seu filho Antônio Hidalgo, que poderia ter sido também Miguel, tal a sua grandeza.
O segundo, por sua transcendência, representou a paz para as nações do mundo inteiro. A paz tão bem incorporada por mamãe na sua índole pacífica e acentuada nobreza, não obstante seu inflexível caráter."
Ah! Mãe amada! Quanta falta fazes! Recordar-te é trazer-te para perto de nós. Por isto, estás sempre perto... Cotidianamente, estou citando-a. Seja nos exemplos dos adágios populares, sempre bem contextualizados para cada caso particular, seja nos enunciados ricos, que tua riqueza cultural, paradoxalmente, contrastava com tua humildade e simplicidade de vida...
Certa vez, escrevi que o sinal de teu rosto não era um sinal físico. Era um signo maior que podia ser lido além da dor. Foste tu mãe, mestra do amor e da vida, que nos ensinaste as mais belas lições! Lições de caráter, de honestidade, de amor ao próximo, de ternura, de carinho, de respeito ao outro, mas acima de tudo, do olhar diferenciado para os humildes e necessitados. Os aquinhoados por riquezas materiais, dizias tu, a vida já os premiou... É verdade, mãe querida. Amar a quem é "certinho demais", a quem não tem defeitos é muito fácil. Prestar favores àqueles que poderiam até passar sem eles não é difícil. O esforço é maior quando servimos aos que têm carência de tudo. Tantas foram as lições, que impossível seria listá-las aqui. Mas, impossível também, seria esquecer o teu dinamismo e garra como educadora, em uma época de poucos recursos didáticos, em uma pequena cidade do interior da Paraíba. Teus feitos "heróicos" chamavam a atenção, até da mais alta autoridade da Paraíba, quando registrou esse teu "saber fazer" em documento enviado a ti, parabenizando-te pelo trabalho excelente que desenvolvias naquela época, no município de Mamanguape. Nova Floresta e Cuité também te foram agradecidos, homenageando-te com duas escolas que ostentam teu nome, fazendo jus a toda uma vida de dedicação à educação e à cultura daqueles municípios.
É mãe! Quanta saudade! Quantas mudanças! Éramos seis! Hoje, somos, apenas, três... Quantas lembranças... Três filhos que pranteiam a tua partida. Que sentem forte no peito o pulsar de um coração que anseia pelos teus beijos, que se ressente da falta daquele abraço gostoso, do teu sorriso franco, entremeado pelas lágrimas que, não sei definir, conseguiam num misto de ternura e afeto, confundir-se com o riso. Choravas e rias ao mesmo tempo. Era uma marca registrada que representava autenticamente a grandeza das tuas emoções.
É mãe! O tempo passou. Porém, o nosso amor não arrefeceu. Continua forte e maior, porque maior que tudo isso foi o teu exemplo. De mulher corajosa, inteligente e criativa, na limitação do seu tempo. É isso aí, Julieta. Tu apenas mudaste de espaço. Continuas muito viva em nossos corações. E não tenho dúvidas, de incluir o "nós", pois tenho certeza, de que todos que conviveram contigo, principalmente, filhos e netos, guardam os mesmos sentimentos externados aqui. Serás sempre a querida mamãe, a sempre vó e a amada Etinha (dos irmãos e sobrinhos).
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Diálogo e relação com os saberes
Tarde de sábado. No Restaurante “Aconchego”, literalmente, em Sousa, brindávamos o término de uma disciplina, em Curso de Especialização. Não bastasse o calor do clima da cidade, aquecia-nos muito mais o calor humano daqueles alunos. Os depoimentos sobre a metodologia pertinente e as estratégias variadas eram ressaltados. Falavam entusiasmados sobre a produção dos artigos, que, de início, causou um certo frisson, mas que para eles, foi uma grande oportunidade de praticarem o processo da autoria. Expressavam contentes a experiência de vivenciarem a defesa de seus posicionamentos, em relação aos temas escolhidos, e ainda, o valor das trocas enunciativas ocasionadas pelo ecletismo temático em cada artigo apresentado.
Tudo isto me trouxe à mente a contribuição fantástica do trabalho publicado por Règine Delamotte-Legrand (2002), que explana tão bem sobre a profissão de professor e a relação com os saberes. No dizer dessa autora, o saber erudito, cientificamente legitimado, deve estar em sintonia com o “saber-fazer” e o “saber-ser”, fundamentos indispensáveis e constitutivos na dimensão da prática pedagógica. A autora vai mais além, ao definir a transposição didática e as condições de transformação das relações que o aprendiz mantém com os saberes. Nessa perspectiva, “a ênfase recai, então, sobre a dimensão social dos saberes, sobre a coexistência, dentro da instituição escolar, de culturas diferentes, de curiosidades e expectativas diversas e seus efeitos linguageiros nas interações em sala de aula” (Op. cit., p. 130). Seguindo a ótica da linguagem como trabalho, a pesquisadora apresenta conceitos e reflexões que suscitam essa área, mostrando que os “saberes científicos” não são os únicos saberes de referência para os “saberes ensinados”. Ratifica que existem “saberes especializados” de todas as naturezas e “saberes sociais” ligados às práticas sociais. É o conjunto dessas práticas que pode ser fonte de legitimação dos conteúdos a ensinar, cujo ponto de partida é mais procedural do que declarativo, ou seja, que os discursos científicos, especializados ou técnicos sejam reformulados em discursos didáticos.
Chegamos à conclusão de que esses direcionamentos são eficazes e de que vale a pena pô-los em prática.
Fonte: DELAMOTTE-LEGRAND, R. A profissão professor: relações com os saberes, diálogo e colocação em palavras. In: SOUZA-e-SILVA, M.C.P e FAïTA, D. (Orgs.). Linguagem e Trabalho. Construção de objetos de análise no Brasil e na França. Tradução de Inês Polegatto Décio Rocha. São Paulo: Cortez, 2002.
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Meu pequeno jardim...
É muito bom manter um diálogo diário com esses “companheiros” que fazem parte do meu cotidiano.
Campina Grande, 13.04.2008
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Agradecimento a Rossana!
Homenagem não se pede. Talvez por isso, as homenagens são, em sua grande maioria, após a morte. Mas, que bom que alguém seja homenageado em vida. Tem razão o poeta quando afirmou em música popular: “Se alguém quiser fazer por mim que faça agora”.
Foi assim que me senti ao saber da criação de um “blog” feito com toda dedicação para mim. Homenageada! Um “blog” para que eu pudesse registrar as minhas sensações de alegria, de tristeza, de angústia, de vitórias e tudo, enfim, que mexe com as minhas emoções. Para também, como o faço neste momento, poder agradecer, do mais recôndito de minha alma, a Deus, por tudo de bom que ele tem me proporcionado.
São estas atitudes vindas, especialmente, de pessoas que são ligadas a mim afetivamente, que me deixam impregnadas das sensações mais fortes, que marcam no íntimo do meu ser o sentimento mais profundo, amolecem o meu coração e me fazem envaidecida dos filhos que coloquei no mundo. Valeu a pena as noites mal dormidas, as preocupações cotidianas e rotineiras do dever de “ser mãe”. Se me perguntassem se vale a pena viver, eu diria como Gonzaguinha: “Faria tudo outra vez, se possível fosse...”.
É bem verdade, que nem tudo na vida é “um mar de rosas”. Mas, se fizermos do limão uma limonada, as coisas tomam novo rumo. Em nossa caminhada, a experiência me fez ter uma cosmovisão do mundo, a ponto de poder afirmar com certeza: a vida é uma colcha de retalhos, onde se vai costurando, amarrando, pregando, com os fios que brotam de nosso coração, cada “pedacinho de pano” que sobrou das nossas façanhas e proezas da arte de viver. Muitas das vezes, há retalhos que parecem fotografias nítidas de cada cena que foi representada no palco da vida. Muitos deles “manchados” por tintas tão fortes, que ofuscam os nossos olhos e embotam o nosso coração. Outros vêm de mansinho, com suas cores suaves, nos aconchegando e enchendo os nossos olhos de alegria.
Esse “blog”, Rossana, elaborado com tanto carinho, é mais um retalho que acrescento à minha grande colcha... Retalho carinhoso e sugestivo que me faz sentir viva e motivada para continuar vivendo.
Obrigada, filha querida. Você, sim, é divina... Instrumento de Deus na minha vida.
Campina Grande, 06.04.2008. (20h45min)
